O Grupo Volkswagen aprovou uma das maiores reestruturações de sua história. O chamado Plano Futuro 2030 prevê a eliminação de aproximadamente 50 mil postos de trabalho em todo o mundo, além de uma redução de até 50% na quantidade de modelos oferecidos pelo grupo. A medida busca melhorar a competitividade diante da queda da demanda, do excesso de capacidade industrial, das tarifas comerciais e do avanço das fabricantes chinesas.
 
O novo corte de pessoal é adicional às reduções já programadas anteriormente. Na Alemanha, a Volkswagen já havia acordado a eliminação de cerca de 50 mil postos até 2030. Com isso, o número total de empregos potencialmente eliminados pelos diferentes programas pode chegar a aproximadamente 100 mil.
 
Linha de modelos será reduzida
 
Uma das principais medidas do plano é a simplificação do portfólio. A Volkswagen pretende reduzir sua gama de modelos em até 50% e diminuir em aproximadamente 75% a complexidade da oferta, incluindo a quantidade de versões e configurações disponíveis.
 
A estratégia é concentrar investimentos e recursos de desenvolvimento nos produtos considerados mais importantes para cada mercado, buscando aumentar o volume produzido por modelo e reduzir custos.
 
Fábricas alemãs terão futuro reavaliado
 
O Grupo Volkswagen também enfrenta um problema de excesso de capacidade na Europa. Atualmente, as fábricas europeias possuem capacidade para produzir mais de 500 mil veículos além da demanda existente.
 
Quatro unidades na Alemanha Emden, Zwickau, Hannover e Neckarsulm terão seu futuro produtivo reavaliado. A empresa afirma que ainda não há uma decisão definitiva de fechamento, mas reconhece que não consegue garantir uma produção competitiva para essas plantas entre 2031 e 2034. Alternativas de utilização dos locais estão sendo estudadas.
 
Pressão vem de diferentes mercados
 
A reestruturação acontece em um momento de forte pressão sobre a indústria automotiva. Além da queda nas vendas na China, maior mercado automotivo do mundo, a Volkswagen enfrenta tarifas de importação, aumento de custos e concorrência cada vez mais forte de fabricantes chinesas.
 
A companhia também pretende adaptar sua operação na China às novas condições do mercado e ampliar as exportações para países do chamado Sul Global. Na América do Norte, a estratégia será concentrar esforços nos segmentos considerados mais rentáveis.
 
Meta é produzir de acordo com a demanda
 
O plano estabelece como objetivo ajustar a capacidade produtiva do grupo para aproximadamente 9 milhões de veículos por ano.
 
Antes da pandemia, a Volkswagen havia realizado investimentos para alcançar capacidade de cerca de 12 milhões de unidades anuais. Desde então, a empresa já reduziu aproximadamente 2 milhões de unidades dessa capacidade e pretende avançar ainda mais no ajuste da produção.
 
Brasil não aparece entre os alvos anunciados
 
Apesar da dimensão global da reestruturação, as fábricas brasileiras não foram citadas entre as unidades que terão sua produção reavaliada pelo novo plano.
 
A operação brasileira conta com quatro fábricas e mais de 12 mil funcionários, enquanto a Volkswagen mantém a previsão de R$ 16 bilhões em investimentos no país, destinados a novos veículos e tecnologias, incluindo sistemas híbridos.
 
Reestruturação também envolve tecnologia
 
Além dos cortes, o Plano Futuro 2030 prevê € 135 bilhões em investimentos entre 2027 e 2031 em ativos, pesquisa e desenvolvimento.
 
A Volkswagen pretende concentrar plataformas, arquiteturas eletrônicas e sistemas de software, eliminando estruturas paralelas dentro do grupo. A empresa também aposta em digitalização, inteligência artificial e serviços compartilhados para aumentar a produtividade e acelerar a tomada de decisões.
 
A reestruturação, portanto, não representa apenas uma redução de custos. A estratégia busca transformar a estrutura do Grupo Volkswagen para operar com menos modelos, menor complexidade, capacidade produtiva mais adequada à demanda e maior concentração de investimentos nos produtos considerados estratégicos.