O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que aceitaria a instalação de fábricas de montadoras chinesas no país, desde que as empresas produzam em território americano e contratem trabalhadores locais. A declaração foi dada em entrevista à Fox News em 11 de setembro.
Trump comparou uma eventual entrada das fabricantes chinesas à estratégia adotada anteriormente por montadoras japonesas, que construíram fábricas nos Estados Unidos e passaram a produzir localmente. Ao mesmo tempo, o presidente afirmou ser contrário à produção de veículos chineses no México para posterior exportação ao mercado americano.
A sinalização ocorre enquanto os Estados Unidos mantêm tarifas superiores a 100% sobre veículos elétricos chineses e outras restrições relacionadas a veículos conectados e componentes considerados de risco à segurança nacional.
Indústria americana defende restrições permanentes
A posição de Trump contrasta com uma iniciativa da Alliance for Automotive Innovation, entidade que representa grandes fabricantes do mercado americano.
Em 3 de setembro, a organização enviou uma carta ao Congresso dos EUA pedindo uma proibição permanente da venda, importação e fabricação de veículos conectados chineses, além de restrições a determinados softwares e componentes de hardware.
A entidade reúne fabricantes como Ford, General Motors, Toyota, Volkswagen, Honda, Hyundai e Stellantis, entre outras empresas do setor.
Na carta, a Alliance argumenta que veículos chineses conectados podem representar riscos relacionados a dados e segurança. A posição é uma manifestação da indústria e não corresponde, por si só, a uma nova lei aprovada pelo Congresso.
Regras atuais ainda dificultam a entrada
Mesmo com a declaração de Trump, as fabricantes chinesas continuam enfrentando barreiras para vender veículos nos Estados Unidos.
Uma regulamentação adotada durante o governo Joe Biden restringe, a partir dos modelos de 2027, determinados veículos conectados vinculados a empresas de países considerados de preocupação. A medida também estabelece restrições graduais sobre softwares e componentes de hardware utilizados nesses veículos.
Assim, uma eventual fábrica chinesa instalada em território americano ainda precisaria cumprir as regras vigentes para poder comercializar seus veículos.
Encontro entre Trump e Xi está previsto
A declaração também acontece antes do encontro previsto entre Donald Trump e Xi Jinping, presidente da China, em Washington. Segundo informações recentes, os dois governos mantêm negociações sobre comércio e tecnologia antes da reunião prevista para 24 de setembro.
Até o momento, não há anúncio de um acordo que permita a entrada de veículos chineses no mercado americano. A declaração de Trump representa uma posição sobre a possibilidade de produção local, enquanto as restrições existentes e a pressão da indústria continuam em vigor.