Desde a última sexta-feira (1º), entrou em vigor no Brasil a nova mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina comum e na gasolina aditivada. A mudança transforma os combustíveis na chamada gasolina E32 e deverá permanecer válida por pelo menos 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período.
 
Com isso, muitos motoristas passaram a buscar alternativas para evitar a nova composição. No entanto, trocar a gasolina comum pela aditivada não resolve a questão.
 
Isso porque ambas possuem exatamente a mesma proporção de etanol anidro. A única diferença entre elas está no pacote de aditivos detergentes e dispersantes presentes na gasolina aditivada, responsáveis por ajudar na limpeza do sistema de alimentação e do motor.
 
Apenas a premium permanece como E25
 
Atualmente, a única gasolina vendida nos postos brasileiros que mantém 25% de etanol anidro é a gasolina premium.
 
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) manteve o percentual de etanol da categoria premium, que continua sendo classificada como E25.
 
Além do menor teor de etanol, esse combustível possui maior octanagem, característica desenvolvida para motores de alta compressão, modelos turbo de elevado desempenho e veículos que exigem esse tipo de gasolina conforme especificação da fabricante.
 
Entre os principais exemplos disponíveis no Brasil estão a Petrobras Podium, Shell V-Power Racing e Ipiranga Ipimax Pro.
 
Premium não aumenta potência em qualquer carro
 
Apesar da maior octanagem, abastecer um veículo comum com gasolina premium não significa ganho automático de potência ou desempenho.
 
Motores projetados para funcionar com gasolina comum normalmente não conseguem aproveitar a octanagem adicional, já que sua calibração eletrônica e taxa de compressão não foram desenvolvidas para esse tipo de combustível.
 
Nesses casos, o motorista estará pagando mais por um combustível com formulação diferenciada, maior resistência à detonação e menor teor de etanol, mas sem ganhos significativos de desempenho.
 
Já veículos esportivos, importados e alguns modelos turbo podem aproveitar melhor as características da gasolina premium, principalmente quando o próprio fabricante recomenda sua utilização.
 
Carros flex não devem apresentar problemas
 
Para a maioria dos veículos flex modernos, a mudança da antiga gasolina E30 para a nova E32 não representa uma preocupação.
 
Esses motores já são desenvolvidos para operar com diferentes proporções de gasolina e etanol, podendo inclusive funcionar exclusivamente com etanol hidratado.
 
A central eletrônica identifica automaticamente a composição do combustível e realiza ajustes na injeção eletrônica, na ignição e na partida do motor.
 
O principal efeito esperado é uma pequena redução na autonomia, já que o etanol possui menor poder energético que a gasolina. Ainda assim, como a diferença foi de apenas dois pontos percentuais, a tendência é que essa alteração seja discreta para a maior parte dos motoristas.
 
Importados e veículos antigos exigem atenção
 
A situação pode ser diferente para veículos antigos, motocicletas e automóveis importados desenvolvidos para mercados onde a gasolina possui menor concentração de etanol.
 
Nesses modelos, componentes como mangueiras, vedações, bombas de combustível e outros elementos do sistema de alimentação podem não ter sido projetados para trabalhar com uma quantidade maior de biocombustível.
 
Embora isso não signifique que esses veículos apresentarão problemas imediatamente, especialistas recomendam consultar o manual do fabricante para verificar qual combustível é indicado.
 
Nesses casos, a gasolina premium E25 pode representar uma alternativa mais próxima da composição considerada durante o desenvolvimento de alguns modelos estrangeiros. Ainda assim, ela continua contendo etanol e não equivale às gasolinas comercializadas em países que utilizam misturas menores, como E10 ou gasolina pura.
 
Com a adoção da gasolina E32, a premium passa a ter um novo diferencial no mercado brasileiro: além da maior octanagem, tornou-se a única opção disponível nos postos para quem deseja abastecer com uma gasolina que contenha menos de 32% de etanol anidro.