Com a recente elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32%, muitos motoristas passaram a questionar se o combustível adicionado pelas distribuidoras é o mesmo encontrado nas bombas dos postos. Apesar de terem a mesma origem, os dois produtos possuem diferenças importantes.
 
O etanol vendido diretamente ao consumidor é o chamado etanol hidratado, que pode conter até 7,5% de água, conforme permitido pela legislação brasileira. Já o combustível utilizado na composição da gasolina é o etanol anidro, que passa por um processo adicional de desidratação, reduzindo praticamente toda a umidade presente no produto.
 
Essa diferença é fundamental para garantir a estabilidade da gasolina. Caso fosse utilizado o etanol hidratado na mistura, a água poderia provocar a chamada separação de fases, fazendo com que álcool e água se concentrassem no fundo do tanque, enquanto a gasolina permaneceria na parte superior. Isso comprometeria a qualidade do combustível e poderia causar falhas no funcionamento do motor.
 
Nos veículos flex, o sistema de alimentação já foi desenvolvido para trabalhar tanto com gasolina quanto com etanol hidratado. Ainda assim, os fabricantes projetam os motores considerando as características específicas de cada combustível.
 
 
Um exemplo é o novo GWM Haval H6 Flex 2027. Para adaptar o modelo ao uso do etanol hidratado, a fabricante precisou modificar componentes do sistema de injeção direta. A bomba de alta pressão utilizada na versão movida apenas a gasolina foi substituída por outro conjunto menos sensível aos efeitos da umidade presente no etanol.
 
Especialistas explicam que o etanol anidro, por possuir baixíssimo teor de água, ajuda a manter a gasolina homogênea e ainda contribui para melhorar a octanagem do combustível, reduzindo a tendência à detonação no motor. Além disso, o uso do etanol também diminui as emissões de gases poluentes e reduz a dependência de combustíveis fósseis.
 
Apesar disso, a simples substituição do etanol anidro pelo hidratado na gasolina não seria viável. Além dos riscos técnicos, seria necessário alterar todo o processo de produção e distribuição do combustível no país, exigindo novas calibrações por parte das montadoras.
 
Outro ponto importante é que ambos os combustíveis são produzidos a partir da cana-de-açúcar. A diferença surge apenas na etapa final da fabricação, quando o etanol anidro passa por um processo adicional para retirar praticamente toda a água presente em sua composição.
 
Especialistas também alertam que os consumidores devem abastecer apenas em postos de confiança. Além da preocupação com combustíveis adulterados por excesso de água, órgãos de fiscalização já identificaram casos de adição irregular de metanol, substância altamente tóxica que pode provocar danos graves ao sistema de injeção e ao motor dos veículos.
 
Dessa forma, embora ambos sejam derivados da mesma matéria-prima, etanol hidratado e etanol anidro desempenham funções diferentes. Enquanto um é utilizado diretamente como combustível, o outro é indispensável para compor a gasolina comercializada no Brasil, garantindo estabilidade, eficiência e segurança ao funcionamento dos motores.