Os carros híbridos deixaram de ser uma tecnologia de nicho no Brasil e passaram a ocupar espaço cada vez maior no mercado. Com diferentes sistemas disponíveis, porém, entender o funcionamento de cada tecnologia é fundamental antes da compra.
A principal diferença está na forma como o motor elétrico participa da movimentação do veículo, no tamanho da bateria e na necessidade ou não de recarga externa. Uma escolha inadequada ao perfil de uso pode fazer o consumidor gastar mais do que o esperado.
Além disso, o sistema híbrido adiciona componentes ao veículo e exige atenção a fatores como manutenção, hábitos de condução e, no caso dos modelos plug-in, disponibilidade de um local adequado para recarga.
Híbrido leve é a porta de entrada
O MHEV (Mild Hybrid Electric Vehicle) é atualmente uma das formas mais simples de eletrificação. O sistema utiliza um pequeno motor elétrico, geralmente associado a uma arquitetura de 12 V ou 48 V, para auxiliar o propulsor a combustão em determinados momentos.
Em sistemas MHEV convencionais, o motor elétrico não consegue movimentar o veículo sozinho. Ele atua principalmente nas partidas e acelerações, além de permitir estratégias como o desligamento temporário do motor em determinadas situações.
No Brasil, essa tecnologia aparece em modelos como Kia Stonic, Fiat Pulse Hybrid, Fiat Fastback Hybrid, Peugeot 208 e 2008, além de outros veículos que adotam diferentes arquiteturas de híbrido leve.
A principal vantagem está justamente na simplicidade. O sistema adiciona pouco peso e pode proporcionar redução de consumo na faixa de 10% a 15%, dependendo da aplicação e das condições de uso.
Híbrido pleno prioriza a economia urbana
Acima do MHEV está o HEV (Hybrid Electric Vehicle), também chamado de híbrido pleno ou convencional.
Nesse sistema, o motor elétrico tem participação muito maior e pode, em determinadas situações, movimentar o veículo sozinho por períodos curtos. A bateria é recarregada durante o funcionamento do próprio veículo, principalmente por meio do motor a combustão e da frenagem regenerativa, sem necessidade de conexão a uma tomada.
É justamente no trânsito urbano que essa arquitetura costuma apresentar suas maiores vantagens. Em congestionamentos e situações de baixa velocidade, o sistema pode utilizar mais a propulsão elétrica, reduzindo o funcionamento do motor a combustão.
Modelos como Toyota Corolla e Corolla Cross híbridos, Honda Civic e:HEV, Hyundai Kona e Kia Niro utilizam diferentes configurações dessa tecnologia.
No caso dos modelos da Toyota, por exemplo, o motor elétrico assume boa parte do trabalho em situações de baixa velocidade, enquanto o motor a combustão entra de maneira mais intensa quando há maior demanda por potência.
PHEV exige disciplina com a tomada
No topo dessa classificação está o PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle), o híbrido plug-in.
A principal diferença é que a bateria pode ser recarregada externamente, permitindo que o veículo percorra distâncias consideráveis utilizando apenas energia elétrica. Quando a carga disponível diminui, o motor a combustão entra em funcionamento.
Modelos como BYD Song Plus, GWM Haval H6 PHEV, Jaecoo 7, Geely EX5 EM-i e Cherry Tiggo 8 Pro utilizam essa solução, com autonomias elétricas que variam de acordo com a capacidade da bateria e a configuração do veículo.
Para quem percorre trajetos curtos diariamente e consegue recarregar o carro em casa, o PHEV pode permitir que grande parte dos deslocamentos seja feita sem utilizar gasolina.
Por outro lado, quem não possui um local adequado para recarregar o veículo pode não aproveitar todo o potencial da tecnologia.
E a manutenção?
Um ponto importante é que um híbrido continua tendo componentes de um automóvel a combustão. Portanto, itens como óleo do motor, filtros, sistema de arrefecimento e outros componentes continuam fazendo parte da manutenção, dependendo da arquitetura utilizada.
Ao mesmo tempo, a presença de motores elétricos e baterias acrescenta novos componentes ao veículo.
Por isso, antes de comprar, é importante verificar o período de garantia da bateria, cobertura dos componentes elétricos, custo das revisões e disponibilidade de assistência especializada para aquele modelo.
Também vale pesquisar o custo de seguro, peças e eventuais procedimentos específicos de manutenção.
Qual híbrido faz mais sentido?
A resposta depende principalmente do uso.
MHEV: indicado para quem busca uma eletrificação mais simples, sem precisar carregar o veículo na tomada.
HEV: interessante para quem roda bastante na cidade e quer aproveitar a propulsão elétrica sem precisar se preocupar com recarga externa.
PHEV: pode ser mais vantajoso para quem possui onde carregar o carro e realiza deslocamentos diários que cabem dentro da autonomia elétrica disponível.
No fim, não existe um híbrido ideal para todos os motoristas. A tecnologia precisa ser escolhida de acordo com a rotina, quilometragem, disponibilidade de recarga e diferença de preço em relação a um modelo convencional.
Antes de fechar negócio, vale colocar na ponta do lápis preço do carro, consumo, revisões, seguro, impostos, garantia e custo de energia ou combustível. É essa conta completa que mostra se a economia prometida pela eletrificação realmente fará diferença no bolso.