O número de mulheres habilitadas para pilotar motocicletas no Brasil cresceu 65,8% em dez anos. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) apontam que o país ultrapassou a marca de 10 milhões de mulheres com habilitação para conduzir motos em 2025. Em 2015, eram aproximadamente 6 milhões.
O avanço acompanha a expansão do mercado brasileiro de duas rodas. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), foram emplacadas 2,19 milhões de motocicletas em 2025, crescimento superior a 17% em relação ao ano anterior.
Para 2026, a projeção da entidade é de que o segmento alcance aproximadamente 2,42 milhões de unidades, o que representaria uma alta de 10%.
A ampliação do público consumidor também está relacionada às diferentes formas de utilização das motocicletas. Economia de combustível, agilidade no trânsito e custos de aquisição e manutenção seguem entre os fatores que atraem quem utiliza o veículo no deslocamento diário ou como ferramenta de trabalho, especialmente entregadores e motociclistas de aplicativo.
Entre os consumidores mais jovens, a escolha da primeira motocicleta também envolve aspectos como design, tecnologia, conectividade e facilidade de condução.
Para Wendel Lazko, gerente-geral de negócios da Shineray do Brasil, o perfil de quem compra motocicletas está mais diversificado. Segundo ele, além do transporte cotidiano, as duas rodas passaram a atender diferentes necessidades de mobilidade e lazer.
Do transporte diário às viagens
O uso das motocicletas também tem ganhado espaço entre pessoas que procuram opções para passeios e viagens. Nesse segmento, características como conforto, desempenho, proteção contra o vento e recursos voltados a trajetos mais longos passam a ter maior importância na decisão de compra.
Entre janeiro e maio de 2026, a produção de motocicletas de alta cilindrada cresceu mais de 40% na comparação com o mesmo período de 2025. Embora esses modelos tenham diferentes aplicações, parte desse mercado atende consumidores interessados em viagens e atividades de lazer.
Diante desse cenário, fabricantes precisam considerar públicos com necessidades distintas, desde quem depende da motocicleta diariamente até quem a utiliza ocasionalmente. Economia, segurança, conforto, tecnologia e facilidade de manutenção estão entre os fatores que influenciam essas escolhas.