Uma nova rodada de testes de emissões colocou motocicletas da Shineray novamente no centro de uma investigação sobre o cumprimento das normas ambientais brasileiras. Ensaios realizados em laboratório independente apontaram que modelos avaliados ultrapassaram os limites legais de emissão de poluentes, com diferenças que, pelos números apresentados na tabela dos testes, chegam a cerca de 18 vezes o permitido em determinados parâmetros.
O caso envolve uma disputa entre a Shineray do Brasil e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) e tramita na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Reportagens recentes apontam que a investigação administrativa está em andamento desde o início de 2026.
Entenda como começou o caso
No fim de 2025, a Abraciclo apresentou uma representação contra a Shineray à Senacon. A entidade levantou suspeitas de que motocicletas comercializadas pela fabricante poderiam estar fora dos padrões de emissões e ruídos previstos na legislação brasileira.
Segundo a denúncia, motos produzidas pela Shineray em Suape, Pernambuco, teriam sido encontradas sem componentes relacionados ao controle de emissões, como catalisador, cânister e sistema fechado de ventilação do cárter.
Os primeiros laudos também apontaram índices elevados de monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio.
A Shineray contestou os resultados e questionou a imparcialidade dos ensaios iniciais, argumentando que eles haviam sido realizados em laboratórios ligados a empresas associadas à Abraciclo.
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Novos testes foram realizados em laboratório independente
Após os questionamentos da fabricante, novas avaliações foram realizadas pela Marelli. Segundo informações divulgadas sobre o processo, motocicletas adquiridas no mercado foram encaminhadas ao laboratório para repetição dos ensaios seguindo protocolos técnicos de emissões e ruído.
Os resultados voltaram a apontar índices acima dos limites legais.
Na tabela apresentada com os resultados, a SHI 150 registrou 17.983,66 mg/km de monóxido de carbono (CO). O limite indicado é de 1.000 mg/km. O valor é aproximadamente 18 vezes superior ao parâmetro apresentado.
A mesma motocicleta registrou 513,95 mg/km de THC, diante de um limite de 100 mg/km, além de 467,39 mg/km de NMHC, enquanto o parâmetro indicado é de 68 mg/km.
Nos óxidos de nitrogênio, o resultado foi de 132,36 mg/km, diante do limite de 60 mg/km.
Outros modelos também ficaram acima dos limites
A SHI 175 EFI também apresentou resultados superiores aos parâmetros indicados. O teste registrou 2.486,7 mg/km de CO, 334,4 mg/km de THC, 311,5 mg/km de NMHC e 335 mg/km de NOx.
Já a XY125 Rio EFI apresentou 5.016,4 mg/km de CO, 833,1 mg/km de THC, 801,8 mg/km de NMHC e 214,7 mg/km de NOx.
Reportagens sobre o novo laudo afirmam ainda que as motocicletas excederam limites legais em 63 dos 64 parâmetros analisados e que, considerando o conjunto mais amplo dos ensaios, houve casos com emissões de até 30 vezes acima dos parâmetros legais.
Abraciclo cobra cumprimento das normas
O presidente da Abraciclo, Marcos Bento, classificou os resultados como preocupantes e afirmou que alguns índices encontrados ultrapassaram em mais de 30 vezes os parâmetros legais.
A associação sustenta que todas as fabricantes que atuam no mercado brasileiro devem cumprir as mesmas regras de homologação, emissões e segurança antes da comercialização dos veículos.
A entidade também argumenta que o cumprimento das normas é necessário tanto para a proteção ambiental quanto para garantir condições iguais de concorrência no setor.
Processo ainda está em andamento
Apesar dos resultados apresentados nos testes, o processo ainda não foi concluído pelas autoridades.
Caso sejam confirmadas infrações após a análise dos órgãos responsáveis, medidas administrativas poderão ser discutidas dentro do processo. Portanto, não há, até o momento, uma decisão definitiva determinando recall ou suspensão das vendas dos modelos citados.
Procurada pelas reportagens que divulgaram o caso, a Shineray informou que o tema está sob segredo de Justiça e que já apresentou as manifestações cabíveis no processo.
A fabricante afirma respeitar os trâmites institucionais e, por causa do andamento judicial, declarou não ser possível comentar detalhes adicionais sobre o caso.
A Shineray mantém atualmente diferentes modelos de motocicletas em seu portfólio brasileiro. A fábrica da empresa em Suape foi inaugurada em 2015, e a marca alcançou forte crescimento no mercado nacional nos últimos anos.
O caso segue em análise e novos desdobramentos poderão ocorrer conforme o avanço das apurações.