A entrada em vigor do Imposto de Importação de 35% para veículos eletrificados importados completos não deverá provocar um aumento de preços na mesma proporção para os consumidores brasileiros. A avaliação é da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa).
 
Desde 1º de julho, veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in importados passaram a enfrentar a recomposição integral da alíquota para 35%. Até 30 de junho, as taxas eram de 25% para elétricos, 28% para híbridos plug-in e 30% para híbridos.
 
Apesar do aumento tributário, a Abeifa avalia que o consumidor não deverá encontrar reajustes equivalentes ao impacto do imposto nas tabelas das montadoras.
 
Concorrência deve segurar aumento dos preços
 
Durante coletiva realizada nesta terça-feira (14), o presidente da Abeifa, Marcelo Godoy, afirmou que o atual nível de concorrência do mercado brasileiro dificulta um repasse integral dos custos.
 
“A gente não vê um repasse de 15% a 18% no preço final. Se você olhar os últimos anos, o repasse nunca foi de um para um. E a gente entende que não vai acontecer agora”, afirmou o executivo.
 
Segundo Godoy, elevar os preços na mesma proporção poderia comprometer diretamente as vendas.
 
“O mercado está super competitivo. Você não pode descalibrar isso. Se repassar de um para um o aumento de preço, você acaba afetando a demanda.”
 
A avaliação da entidade é que as fabricantes precisarão buscar alternativas, como negociações com fornecedores, ganhos de eficiência e absorção de parte do aumento dos custos.
 
Importadoras anteciparam carros antes do imposto de 35%
 
Outro fator que poderá ajudar a segurar os preços no curto prazo é o volume de veículos importados antes da mudança tributária.
 
A Abeifa confirmou que fabricantes anteciparam embarques e reforçaram os estoques antes de 1º de julho. Segundo a entidade, o movimento não ficou restrito às marcas associadas e foi adotado por diferentes empresas do setor automotivo.
 
Na prática, isso significa que milhares de carros que já estão no Brasil chegaram antes da aplicação da alíquota de 35%.
 
De acordo com Marcelo Godoy, os estoques formados podem sustentar a oferta durante os próximos meses. Estimativas apresentadas pelo presidente da entidade apontam capacidade média para abastecer o mercado por quatro a cinco meses.
 
A estratégia dá às fabricantes mais tempo para administrar preços e estoques durante o segundo semestre.
 
Preços ainda podem subir
 
Apesar da expectativa de impacto limitado, a Abeifa não descarta reajustes nas tabelas.
 
A avaliação é que parte do aumento do imposto poderá chegar ao consumidor, mas dificilmente na mesma proporção da recomposição tributária.
 
Segundo Godoy, o histórico do mercado mostra que as empresas normalmente absorvem uma parcela do aumento de custos para preservar competitividade.
 
O desafio será ainda maior diante da disputa entre marcas chinesas, europeias e fabricantes que já iniciaram ou planejam iniciar a produção de veículos eletrificados no Brasil.
 
Vendas das importadoras crescem 85%
 
O aumento do imposto acontece justamente em um momento de forte expansão das marcas ligadas à Abeifa.
 
No primeiro semestre de 2026, as associadas emplacaram 111.120 automóveis e comerciais leves, crescimento de 85,1% na comparação com o mesmo período de 2025.
 
Desse total, 105.982 veículos eram eletrificados, avanço de 90,8% em relação ao ano passado.
 
A BYD concentrou a maior parte dos emplacamentos das associadas, com 99.064 unidades entre janeiro e junho.
 
Na sequência aparecem Volvo Cars, com 3.978 unidades; Kia Brasil, com 2.846; Porsche Brasil, com 2.206; Denza Brasil, com 1.352; e Land Rover Brasil, com 1.340 veículos.
 
Consumidor poderá sentir efeito apenas nos próximos meses
 
Com os estoques reforçados antes da mudança tributária, o impacto do imposto de 35% pode demorar para aparecer de forma mais clara nas concessionárias.
 
A própria Abeifa reconhece que tabelas poderão ser reajustadas, mas avalia que a forte concorrência impedirá aumentos generalizados na mesma proporção do tributo.
 
Por enquanto, a disputa entre as fabricantes e o volume de carros antecipados antes de julho podem funcionar como uma espécie de amortecedor para os preços dos elétricos e híbridos importados.
 
A grande dúvida será o que acontecerá quando esses estoques começarem a diminuir e novos lotes, já tributados integralmente em 35%, chegarem ao Brasil.