Em 11 de julho de 1973, um voo da Varig entre o Rio de Janeiro e Paris entrou para a história como uma das maiores tragédias da aviação civil brasileira. O acidente, que matou 123 pessoas, teve origem em uma causa aparentemente simples: um cigarro descartado de forma inadequada dentro da aeronave.
 
O voo RG-820 era operado por um Boeing 707 e transportava 134 ocupantes entre passageiros e tripulantes. Durante a viagem, um princípio de incêndio teve início na parte traseira da cabine após a combustão de materiais inflamáveis presentes no interior da aeronave.
 
Na época, revestimentos sintéticos, espumas, poliéster e plásticos eram amplamente utilizados na construção das cabines. Com a propagação das chamas, uma densa fumaça tóxica tomou conta do ambiente em poucos minutos.
 
Fumaça foi mais mortal que o fogo
 
Embora o incêndio tenha sido o fator inicial da tragédia, a principal causa das mortes foi a inalação de fumaça tóxica. A cabine rapidamente ficou tomada por uma fumaça espessa e escura, reduzindo drasticamente a visibilidade e provocando asfixia em passageiros e tripulantes.
 
Mesmo enfrentando condições extremas dentro da cabine de comando, os pilotos conseguiram localizar o Aeroporto de Orly, nos arredores de Paris, e tentaram realizar um pouso de emergência.
 
No entanto, quando a aeronave tocou o solo, grande parte das vítimas já estava inconsciente ou sem vida devido aos efeitos da fumaça.
 
Dos 134 ocupantes, 123 morreram. Apenas 11 pessoas sobreviveram ao acidente, sendo dez tripulantes e um único passageiro.
 
O único passageiro sobrevivente
 
O único passageiro que sobreviveu à tragédia foi o brasileiro Ricardo Trajano, que tinha 21 anos na época.
 
Durante o incêndio, ele percebeu que estava tendo dificuldades para respirar e tomou uma decisão que acabou sendo determinante para sua sobrevivência. Ricardo deixou sua poltrona e se arrastou pelo corredor até a parte dianteira da aeronave, onde a concentração de fumaça era menor, especialmente próxima ao piso.
 
Após o pouso de emergência, ele foi encontrado inconsciente pelas equipes de resgate, mas ainda com vida.
 
Apesar de sobreviver, Ricardo sofreu graves sequelas pulmonares causadas pela inalação da fumaça tóxica e carregou por muitos anos os impactos psicológicos da tragédia.
 
Acidente mudou normas de segurança
 
A tragédia do voo RG-820 provocou mudanças importantes nos padrões de segurança da aviação mundial.
 
Após o acidente, autoridades aeronáuticas passaram a exigir sistemas mais eficientes de detecção e combate a incêndios a bordo. Detectores de fumaça em banheiros tornaram-se obrigatórios, assim como materiais internos menos inflamáveis e mais resistentes ao fogo.
 
As normas de evacuação e os sistemas de monitoramento de incêndio também foram aperfeiçoados ao longo das décadas seguintes.
 
Mais de cinco décadas depois, o acidente da Varig continua sendo lembrado como um dos episódios mais trágicos da história da aviação e um exemplo de como um pequeno ato de negligência pode desencadear consequências devastadoras.