A GWM deu mais um passo na estratégia de eletrificação do transporte pesado no Brasil ao realizar o primeiro abastecimento de um caminhão movido a hidrogênio verde no país. A operação aconteceu no Senai Cimatec, em Camaçari (BA), marcando o início da fase de testes operacionais que antecede o lançamento comercial do modelo, previsto para 2026.
O caminhão integra a divisão GWM Hydrogen e será utilizado para validar a tecnologia em condições reais de operação, além de avaliar toda a cadeia logística de produção, armazenamento e abastecimento do hidrogênio.
Estratégia busca contornar falta de infraestrutura
Ao contrário dos veículos elétricos convencionais, que dependem de uma ampla rede de recarga, a GWM pretende iniciar a operação do caminhão em rotas dedicadas e frotas fechadas, abastecidas por infraestrutura própria.

Segundo a fabricante, essa estratégia permite acelerar a adoção da tecnologia enquanto o Brasil ainda desenvolve uma rede nacional de abastecimento de hidrogênio.
A empresa já negocia projetos com grupos privados e centros de tecnologia brasileiros, além de avaliar oportunidades futuras de exportação para outros países da América do Sul.
Hidrogênio verde abastece os testes
O combustível utilizado nos ensaios é o chamado hidrogênio verde, produzido por eletrólise da água utilizando energia proveniente de fontes renováveis.
Além de avaliar o desempenho do caminhão, os testes também irão analisar aspectos como produção, armazenamento, abastecimento e eficiência operacional da tecnologia em condições brasileiras.
Caminhão entrega 544 cv e autonomia próxima de 500 km
O caminhão desenvolvido pela GWM entrega 544 cavalos de potência e 234,7 kgfm de torque, números superiores aos encontrados em diversos modelos a diesel da mesma categoria.
O sistema utiliza células de combustível que transformam hidrogênio em eletricidade para alimentar os motores elétricos. Uma bateria de 105 kWh auxilia o conjunto, armazenando energia recuperada nas frenagens e fornecendo potência adicional em momentos de maior demanda.
Os cilindros de fibra de carbono trabalham com pressão de 350 bar e conseguem armazenar até 40 kg de hidrogênio, proporcionando uma autonomia próxima de 500 quilômetros.
Outro diferencial apontado pela fabricante é o peso reduzido. O modelo pesa cerca de 10,8 toneladas vazio, aproximadamente 500 kg a menos que caminhões a diesel equivalentes, permitindo transportar uma carga útil maior dentro do limite legal de 49 toneladas de Peso Bruto Total (PBT).
Brasil será base para validação da tecnologia
Nos próximos meses, o caminhão deverá percorrer mais de 1.000 quilômetros em testes no Brasil, simulando diferentes condições de operação.
Embora a tecnologia ainda seja inédita em larga escala na América Latina, a GWM destaca que veículos semelhantes já operam comercialmente na Ásia, onde a subsidiária responsável pelo projeto possui mais de 2.000 caminhões a hidrogênio em circulação.
A expectativa da montadora é que os testes realizados no Brasil comprovem a viabilidade técnica e econômica da tecnologia, abrindo caminho para o início das vendas do caminhão no mercado nacional ainda em 2026.