A Ducati trabalha em uma nova arquitetura para motocicletas elétricas de alto desempenho. Uma patente publicada em 2026 revela soluções desenvolvidas pela fabricante italiana para tornar mais compacto o conjunto formado por motor elétrico, transmissão e sistemas de controle, sem comprometer as características de uma motocicleta convencional.
O documento não confirma o lançamento de uma moto específica, mas mostra que a Ducati está estudando maneiras de levar a eletrificação para modelos de maior desempenho.
Motor elétrico de até 20 mil rpm
Um dos pontos que mais chama atenção na patente é o regime de funcionamento previsto para o motor elétrico. O sistema foi projetado para trabalhar entre 17.000 e 20.000 rpm, com 18.500 rpm apontados como regime preferencial.
Como o motor elétrico trabalha em rotações muito elevadas, a Ducati propõe utilizar um sistema de redução por engrenagens para diminuir a rotação e aumentar o torque antes que a força chegue à roda traseira.
A transmissão final seria feita por corrente, como em muitas motocicletas convencionais. Não se trata, porém, de um câmbio tradicional com várias marchas, mas de uma relação de redução fixa.
Ducati quer manter a moto estreita
Mais do que simplesmente criar um conjunto potente, a patente concentra esforços em um problema importante das motocicletas elétricas: o espaço ocupado pelo sistema de propulsão.
A proposta prevê a instalação do motor de forma transversal no chassi. Para diminuir a largura do conjunto, o sensor responsável por identificar a posição do rotor pode ser deslocado do eixo principal do motor para uma região posterior, junto ao sistema de redução.
As engrenagens também podem ser distribuídas em diferentes planos paralelos. Dessa forma, a Ducati consegue aproveitar melhor o espaço disponível sem aumentar excessivamente a largura da motocicleta.
A solução é relevante porque a largura, a distribuição de massas e a posição dos componentes influenciam diretamente ergonomia, estabilidade, agilidade e comportamento em curvas.
Experiência da MotoE
A Ducati já possui experiência considerável com propulsão elétrica graças ao projeto V21L, desenvolvido para a MotoE. A fabricante foi responsável pelo fornecimento das motocicletas da categoria e utilizou o projeto para desenvolver conhecimentos em baterias, motores, inversores, refrigeração, eletrônica e integração do sistema ao chassi.
A V21L utiliza uma bateria de 18 kWh, motor de 150 cv e 140 Nm, além de alcançar até 275 km/h em Mugello. O motor da motocicleta de competição chega a 18.000 rpm.
A nova patente, portanto, representa uma evolução diferente: em vez de focar apenas no desempenho máximo, a Ducati busca uma arquitetura que possa ser compacta o suficiente para uma motocicleta de rua.
Superbikes ou modelos mais versáteis
A tecnologia poderia eventualmente ser aplicada a uma futura Ducati elétrica de alto desempenho, incluindo uma possível superbike. Porém, a patente não determina qual modelo receberá o sistema.
A arquitetura também poderia ser adaptada a motocicletas de outros segmentos, já que a preocupação central é criar um conjunto estreito e eficiente. Conceitualmente, uma solução desse tipo poderia ser utilizada em modelos com características mais urbanas ou aventureiras.
Patente não significa lançamento
Apesar dos avanços apresentados no documento, a Ducati não confirmou uma motocicleta elétrica de produção baseada nessa patente. O registro descreve uma solução técnica e não representa, por si só, o anúncio de um novo modelo.
Ainda assim, o projeto revela uma direção clara da fabricante: encontrar uma maneira de eletrificar suas motocicletas sem simplesmente substituir o motor a combustão por um conjunto elétrico volumoso.
O desafio da Ducati será justamente fazer com que uma futura moto elétrica mantenha proporções, ergonomia, agilidade e comportamento compatíveis com a identidade esportiva da marca.