Com os juros elevados nos financiamentos de veículos, o consórcio vem ganhando espaço entre os brasileiros que planejam comprar um carro. A modalidade cresceu 9,4% em 2025, e a expectativa da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) é de avanço de mais 6% em 2026.
Os veículos leves representam 42,6% das contratações do sistema de consórcios no país. São 5,38 milhões de participantes ativos nesse segmento, que inclui automóveis novos e seminovos. O valor médio das cartas de crédito é de R$ 73.866.
Um dos fatores que explicam esse crescimento é a diferença em relação ao financiamento tradicional. Enquanto a taxa média de juros para financiar um carro chega a aproximadamente 26% ao ano, o consórcio não cobra juros compostos. Isso, porém, não significa que seja totalmente livre de custos adicionais.
Como funciona um consórcio de carro?
O consórcio funciona por meio de um grupo de pessoas que contribuem mensalmente para formar um fundo comum. Cada participante adquire uma cota e paga parcelas durante um período determinado.
O dinheiro arrecadado é utilizado para contemplar os integrantes do grupo, que recebem uma carta de crédito para comprar o veículo.
As contemplações acontecem mensalmente, durante assembleias, e podem ocorrer de duas maneiras: por sorteio ou por lance.
No sorteio, os participantes concorrem à contemplação sem precisar oferecer valores adicionais. Quando contemplado, o integrante recebe o direito de utilizar o crédito contratado, mas continua pagando as parcelas restantes.
Já no lance, o consorciado oferece antecipar parte do pagamento para tentar receber a carta de crédito antes. Geralmente, vence quem oferece o maior percentual, conforme as regras estabelecidas pela administradora.
Quais são as taxas cobradas?
Embora não tenha juros de financiamento, o consórcio possui custos que precisam ser considerados antes da contratação.
A principal cobrança é a taxa de administração, valor pago à empresa responsável por organizar e gerenciar o grupo. Também pode existir um fundo de reserva, utilizado para cobrir eventuais necessidades financeiras do consórcio.
Outro ponto importante é o reajuste das parcelas. No caso dos automóveis, os valores podem acompanhar as atualizações do preço do veículo de referência, frequentemente utilizando a Tabela Fipe como parâmetro.
Por isso, o consumidor deve observar não apenas o valor da primeira parcela, mas o custo total previsto durante todo o contrato.
Quando o participante recebe o carro?
Essa é uma das principais diferenças em relação ao financiamento. No consórcio, não existe garantia de receber o veículo imediatamente após a contratação.
A contemplação pode acontecer nos primeiros meses, por sorteio ou lance, mas também pode demorar até o encerramento do grupo.
Especialistas recomendam consultar o histórico de contemplações e dos lances vencedores antes de fechar negócio. Promessas de contemplação rápida ou garantida devem ser vistas com desconfiança.
O que acontece se desistir do consórcio?
O participante que não deseja continuar pode solicitar o cancelamento da cota. Também pode ser excluído do grupo após deixar de pagar três parcelas, conforme as condições mencionadas pela administradora.
Mesmo após a exclusão, o consorciado continua participando dos sorteios para receber os valores que tem direito a recuperar. Caso seja contemplado, a devolução ocorre com os descontos previstos em contrato, como a taxa de administração e eventuais penalidades por quebra contratual.
Por isso, desistir pode representar prejuízo financeiro, principalmente quando existem cobranças previstas no contrato.
O que verificar antes de contratar?
Antes de entrar em um grupo, é importante conferir se a administradora está autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.
- Também é recomendado analisar:
- Valor total da carta de crédito;
- Taxa de administração;
- Existência de fundo de reserva e seguros;
- Prazo de duração do grupo;
- Critérios de reajuste das parcelas;
- Histórico de contemplações e lances;
- Regras para cancelamento e devolução dos valores.
Consórcio ou financiamento?
A escolha depende principalmente da urgência para adquirir o veículo. O financiamento permite retirar o carro após a aprovação do crédito e o pagamento da entrada, mas envolve juros que podem elevar significativamente o custo final.
O consórcio pode representar uma alternativa com custo menor para quem consegue esperar pela contemplação e deseja planejar a compra ao longo do tempo.
No entanto, para quem precisa do automóvel imediatamente, a modalidade pode não ser a mais adequada. A ausência de juros não elimina as taxas, os reajustes nem a incerteza sobre quando o crédito será liberado.
A recomendação é comparar o custo total das duas opções e avaliar se o prazo do consórcio cabe no planejamento financeiro antes de assinar o contrato.