Com o crescimento da frota de veículos híbridos e elétricos no Brasil, também aumentaram os mitos sobre os custos de reparo desses modelos. Um dos mais comuns é a ideia de que qualquer colisão envolvendo um carro híbrido faz com que ele seja automaticamente classificado como de média monta.
 
Na prática, porém, essa afirmação não procede.
 
Segundo o corretor de seguros Ettore Loreto, da Loretolife Seguros, as seguradoras utilizam os mesmos critérios para avaliar veículos híbridos, elétricos e modelos equipados com motores a combustão.
 
"Não há nenhum tipo de regra, norma ou circular determinando que os híbridos sejam tratados de forma diferente dos outros veículos", explica o especialista.
 
O que define a classificação do sinistro
 
A classificação de um veículo como pequena, média ou grande monta está relacionada exclusivamente aos danos provocados pelo acidente.
 
Ou seja, não importa se o automóvel é movido a gasolina, diesel, eletricidade ou possui um sistema híbrido. O fator determinante é a extensão dos prejuízos causados pela colisão.
 
Nos casos de média monta, normalmente são identificados danos estruturais e mecânicos relevantes, mas que ainda permitem o reparo do veículo.
 
Certificado é exigido após média monta
 
Quando um automóvel recebe a classificação de média monta, a legislação exige a emissão do Certificado de Segurança Veicular (CSV).
 
O documento é obtido após uma inspeção realizada por uma empresa credenciada pelos órgãos competentes e serve para comprovar que o veículo recuperou as condições de segurança necessárias para voltar a circular.
 
Após a aprovação, a informação também passa a constar no histórico do automóvel, fator que pode influenciar seu valor de revenda.
 
Híbridos podem ser reparados normalmente
 
Apesar da presença de baterias de alta tensão, motores elétricos e inversores, um veículo híbrido não será automaticamente condenado após um acidente.
 
Segundo o especialista, é comum que esses automóveis passem por serviços de funilaria e pintura sem qualquer comprometimento do conjunto elétrico.
 
"Eu mesmo já tive clientes com veículos híbridos que foram reparados normalmente sem a classificação de média monta", afirma Ettore Loreto.
 
Avaliação é feita caso a caso
 
Embora os veículos híbridos possuam componentes específicos e tecnologias mais complexas, cada ocorrência é analisada individualmente pelas seguradoras.
 
Assim, a simples existência de baterias ou sistemas elétricos de alta tensão não determina o tipo de sinistro. O que realmente pesa na avaliação é a gravidade dos danos causados pelo acidente e a viabilidade técnica do reparo.