Uma tecnologia conhecida como “vacina contra roubo” passou a ser oferecida também para carros de passeio no Brasil. O sistema, utilizado comercialmente desde 2001 em caminhões, vans e máquinas, identifica permanentemente cerca de 100 componentes do veículo com a própria placa.
A proposta não é impedir que o automóvel seja roubado ou furtado, mas dificultar a comercialização das peças retiradas do veículo em desmanches ilegais. A identificação cria uma forma adicional de rastreabilidade dos componentes e pode facilitar a descoberta da origem de uma peça durante fiscalizações ou investigações.
Como funciona a identificação
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Vacina para carro marca mais de 100 peças e está disponível até para modelos eletrificados — Foto: Reprodução/Instagram
Diferentemente da tradicional gravação da placa nos vidros, bastante comum nos anos 1990 e 2000, a tecnologia atual marca uma quantidade muito maior de componentes.
Em peças metálicas, como motor, câmbio, escapamento, catalisador, suspensão, cárter e compressor do ar-condicionado, a identificação é realizada por meio de um equipamento pneumático. Já em componentes de carroceria, plásticos, faróis e lanternas, a marcação é feita a laser na parte interna das peças, mantendo o acabamento externo do veículo.
Segundo a empresa responsável pelo serviço, são realizadas aproximadamente 100 marcações, incluindo itens como capô, portas, para-lamas, para-choques, porta-malas, faróis, lanternas, módulos eletrônicos, alternador, tanque de combustível e turbocompressor.
O processo também inclui adesivos refletivos no veículo para informar que seus componentes possuem identificação permanente.
Procedimento leva cerca de quatro horas
A aplicação é realizada mediante agendamento em unidades credenciadas e leva, em média, quatro horas.
O veículo é colocado em um elevador para que as peças localizadas na parte inferior sejam identificadas. Depois, o procedimento é realizado nos componentes da carroceria e do acabamento.
A identificação utiliza a própria placa do automóvel. Dessa forma, caso uma peça seja encontrada separadamente durante uma fiscalização ou investigação, é possível consultar sua origem por meio de sistemas oficiais de consulta veicular.
Tecnologia não impede o roubo
Apesar do apelido de “vacina”, o sistema não funciona como um rastreador ou bloqueador. Portanto, ele não impede que o veículo seja furtado ou roubado.
A principal função é aumentar a dificuldade para quem pretende desmontar o carro e comercializar suas peças ilegalmente. A identificação permanente pode permitir que componentes sejam associados ao veículo de origem mesmo depois de retirados.
A tecnologia também não substitui outros equipamentos de segurança, como rastreadores, bloqueadores ou sistemas de monitoramento.
Sistema já era utilizado em veículos comerciais
Embora a novidade esteja agora disponível para automóveis de passeio, a tecnologia é utilizada comercialmente em veículos pesados desde 2001.
Segundo dados divulgados pela empresa, mais de 40 mil veículos comerciais já receberam o sistema. Nesse período, foram registrados 63 roubos entre os veículos identificados, dos quais 45 terminaram com recuperação. Outros 18 não foram recuperados.
Atualmente, o serviço também pode ser aplicado em SUVs, picapes, motocicletas, caminhões, máquinas agrícolas e de construção, além de veículos híbridos e elétricos. Nos modelos eletrificados, componentes do conjunto de baterias também podem receber a identificação.
Quanto custa?
O preço varia de acordo com a categoria do veículo. Para hatches e sedãs, o serviço custa R$ 1.190. Em híbridos e elétricos, o valor é de R$ 1.360.
Para SUVs, o preço informado é de R$ 1.460, enquanto veículos com tração 4x4 têm custo de R$ 1.790.
Atualmente, o serviço é oferecido mediante agendamento em unidades credenciadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco e Alagoas. A empresa prevê ampliar a operação para outras capitais brasileiras por meio de franquias.