A estratégia de reduzir a velocidade apenas ao se aproximar de um radar pode perder eficácia com os novos testes de fiscalização por velocidade média autorizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A tecnologia está sendo testada em trechos de rodovias federais concedidas, incluindo a Ponte Anita Garibaldi, em Santa Catarina, e a Ponte Rio-Niterói, no Rio de Janeiro. Nesta fase, porém, os equipamentos têm finalidade técnica, educativa e experimental, sem aplicação de multas baseada exclusivamente na velocidade média registrada.
Como funciona o radar de velocidade média
Diferentemente do radar convencional, que registra a velocidade do veículo em um ponto específico, o novo sistema acompanha o deslocamento entre dois pontos de monitoramento.
As câmeras identificam a placa e registram o horário em que o veículo passa por cada equipamento. Como a distância entre os pontos é conhecida, o sistema calcula quanto tempo foi necessário para completar o percurso e, a partir disso, determina a velocidade média.
Na prática, o motorista que reduzir a velocidade diante do primeiro equipamento e acelerar novamente depois continuará sendo considerado no cálculo, já que o sistema leva em conta todo o trecho monitorado.
Teste na Ponte Anita Garibaldi
Na BR-101, em Laguna (SC), o projeto-piloto será realizado entre os km 312 e 315, em um trecho de aproximadamente três quilômetros.
A Decisão SUROD nº 1.340/2026 estabeleceu prazo de 180 dias, contado a partir da efetiva instalação dos equipamentos e do início do monitoramento. A concessionária ViaCosteira também deverá instalar sinalização informando os motoristas sobre o experimento.
Ponte Rio-Niterói também terá monitoramento
Outro projeto-piloto foi autorizado na BR-101/RJ, na Ponte Rio-Niterói.
O trecho monitorado terá aproximadamente 9,02 quilômetros, entre os km 323,700 e 332,720, no sentido Niterói. Assim como em Santa Catarina, o período experimental será de 180 dias a partir do início efetivo da operação.
Sistema ainda não pode gerar multa pela média
A ANTT deixou estabelecido que, durante os projetos-piloto, não poderão ser aplicadas autuações ou penalidades exclusivamente com base na velocidade média calculada pelo sistema.
O objetivo é avaliar a confiabilidade dos dados, o funcionamento dos equipamentos, o comportamento dos usuários e o desempenho operacional da tecnologia. As concessionárias também deverão encaminhar informações e relatórios à agência.
Isso não significa que os motoristas estejam livres de fiscalização nos trechos. Radares convencionais continuam podendo registrar infrações normalmente quando houver equipamentos regulamentados para esse tipo de fiscalização.
Tecnologia é diferente dos radares com inteligência artificial
O controle de velocidade média também não deve ser confundido com os radares equipados com inteligência artificial.
Enquanto sistemas com IA podem analisar imagens para identificar determinadas condutas dentro do veículo, o controle de velocidade média trabalha principalmente com o cruzamento de placa, horário e distância percorrida.
A tecnologia está sendo avaliada em diferentes rodovias federais concedidas, com projetos autorizados pela ANTT em caráter provisório e experimental.
Por enquanto, portanto, a principal mudança para o motorista é o acompanhamento de todo o percurso monitorado, e não apenas do momento em que o veículo passa diante de um radar.