A Kia já trabalha em mudanças para a Tasman, sua primeira picape média global. Lançada no final de 2024 como uma das principais apostas da fabricante sul-coreana, a caminhonete não alcançou os resultados esperados em mercados importantes como Austrália e Oceania, levando a marca a iniciar uma revisão da estratégia para o modelo.
 
O principal alvo das críticas tem sido o design. Desde a apresentação oficial, a Tasman dividiu opiniões por conta do visual considerado ousado demais para um segmento tradicionalmente dominado por picapes com linhas mais conservadoras.
 
Agora, a Kia admite que prepara ajustes para aumentar a aceitação do modelo e fortalecer sua competitividade diante de concorrentes consolidadas.
 
Design deve ser suavizado
 
Em entrevista ao portal australiano Drive, o gerente de planejamento de produto da Kia Austrália, Roland Rivero, confirmou que a fabricante avalia novidades para a picape.
 
Embora não tenha revelado detalhes, o executivo indicou que mudanças estão em estudo e devem chegar em breve ao mercado.
 
 
A expectativa é que a marca lance inicialmente kits de personalização com alterações em elementos como para-choques, grade frontal e molduras das caixas de roda, buscando suavizar o visual da Tasman sem alterar profundamente sua estrutura.
 
A estratégia seria uma resposta direta às críticas recebidas desde o lançamento.
 
Vendas decepcionam na Austrália
 
A Austrália é considerada o principal mercado da Kia Tasman e justamente onde os resultados ficaram abaixo das projeções da fabricante.
 
Entre janeiro e abril deste ano, foram comercializadas apenas 1.658 unidades da picape.
 
Para efeito de comparação, a Ford Ranger, líder absoluta do segmento no país, vende mais do que esse volume em apenas um mês.
 
Nesse ritmo, a Tasman terá dificuldades para atingir a meta de 20 mil unidades anuais estipulada pela Kia. Modelos como Ford Ranger e Toyota Hilux ultrapassam regularmente a marca de 50 mil emplacamentos por ano no mercado australiano.
 
Nem mesmo a ampla gama de versões, descontos agressivos e diferentes configurações de carroceria foram suficientes para impulsionar as vendas.
 
Reestilização já está nos planos
 
Além das mudanças pontuais, a Kia confirmou que já trabalha em uma futura reestilização de meia-vida para a Tasman.
 
O projeto deverá trazer alterações mais profundas no design, novos equipamentos e opções mecânicas inéditas.
 
Entre as novidades estudadas está uma versão híbrida plug-in (PHEV), desenvolvida para enfrentar concorrentes eletrificadas como a Ford Ranger PHEV e a BYD Shark.
 
Apesar dos planos, a fabricante afirma que a atualização ainda levará alguns anos para chegar ao mercado.
 
Brasil recebe a Tasman em breve
 
Enquanto as mudanças são planejadas, a chegada da Kia Tasman ao Brasil segue confirmada.
 
A picape deverá desembarcar no mercado nacional já nos próximos meses equipada com motor 2.2 turbodiesel de 210 cv, o mesmo utilizado pelo SUV Sorento.
 
As dimensões colocam a novidade diretamente entre as principais concorrentes do segmento:
  • Comprimento: 5,41 metros;
  • Largura: 1,93 metro;
  • Altura: 1,89 metro;
  • Entre-eixos: 3,27 metros;
  • Capacidade de reboque: 3.500 kg;
  • Carga útil entre 1.000 kg e 1.190 kg.
 
Missão será disputar um dos segmentos mais difíceis do mercado
 
Quando chegar ao Brasil, a Tasman enfrentará um cenário altamente competitivo, dominado por modelos já consolidados como Toyota Hilux, Ford Ranger, Chevrolet S10 e Mitsubishi Triton.
 
Além disso, a picape sul-coreana também terá de lidar com novos concorrentes que chegam ao mercado apostando em tecnologia e eletrificação, caso da BYD Shark e de futuras versões híbridas de outras fabricantes.
 
O desafio da Kia será transformar a Tasman em uma alternativa capaz de conquistar espaço em um dos segmentos mais disputados do setor automotivo mundial.