O Grupo SHC, responsável pela representação da JAC Motors no Brasil, entrou com um novo pedido de recuperação judicial para tentar reorganizar dívidas que se aproximam de R$ 240 milhões. A solicitação foi apresentada na terça-feira (6), segundo reportagem da revista Exame, e envolve 44 empresas ligadas ao grupo empresarial.
Este é o segundo pedido de recuperação judicial do grupo em seis anos. A nova solicitação ocorre cerca de um ano e cinco meses após o encerramento do primeiro processo, concluído em maio de 2025, quando a empresa já havia enfrentado dificuldades financeiras significativas.
Bancos têm valores milionários a receber
De acordo com informações publicadas pela Exame, o Grupo SHC negociava com credores para tentar manter determinadas dívidas fora do processo de recuperação judicial. Entre os credores estão instituições financeiras, sendo que uma delas teria mais de R$ 100 milhões a receber.
A reportagem também aponta dificuldades de instituições financeiras para localizar e recuperar veículos da JAC Motors utilizados como garantia em operações de crédito.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a empresas em crise negociar suas dívidas com credores e buscar condições para continuar operando. O pedido, por si só, não significa que a empresa tenha encerrado suas atividades.
JAC Motors reduziu a oferta de carros no Brasil
A nova crise ocorre após mudanças importantes na atuação da fabricante chinesa no mercado brasileiro. Em agosto de 2026, a JAC retirou de linha dois dos três carros de passeio que ainda comercializava no país: os elétricos E-JS4 e E-J7.
O E-JS1 também deixou de ser produzido na China, segundo as informações divulgadas. Com isso, a atuação da marca no Brasil passou a se concentrar na picape Hunter e nos veículos comerciais.
A redução da gama de modelos representa mais um desafio para a fabricante, que foi uma das primeiras marcas chinesas a apostar no mercado brasileiro de veículos elétricos.
Fechamento de concessionárias e reclamações de clientes
Outro sinal das dificuldades enfrentadas pela operação brasileira foi a redução da rede de concessionárias. Segundo levantamento divulgado pela Autoesporte, unidades em Brasília, Curitiba, Porto Alegre e um dos endereços de São Paulo fecharam as portas, restando um ponto de venda listado no site da marca, na capital paulista.
Questionada sobre o fechamento das lojas, a JAC informou que vem desenvolvendo e aprimorando, há cerca de dois anos, seu modelo de vendas on-line e a distância.
Também foram relatadas reclamações de clientes sobre atrasos na entrega de veículos. Um consumidor de Curitiba, por exemplo, afirmou ter comprado um JAC E-JS1 em maio de 2026 e ainda não ter recebido o automóvel. Segundo o relato, a concessionária teria prometido pagar as parcelas do financiamento durante a espera, mas o compromisso não teria sido cumprido.
Primeira recuperação judicial envolveu dívida de R$ 517 milhões
O primeiro pedido de recuperação judicial do Grupo SHC foi apresentado em 1º de novembro de 2018, quando as dívidas acumuladas chegavam a aproximadamente R$ 517 milhões.
Naquele período, a empresa enfrentava dificuldades relacionadas à retração do mercado automotivo, às restrições associadas ao programa Inovar-Auto e ao encerramento de uma parceria de 28 anos com a Citroën. A rede de concessionárias da fabricante francesa representava uma parte importante dos negócios do grupo.
O plano de recuperação foi aprovado pelos credores e homologado em setembro de 2019. O processo acabou sendo encerrado em maio de 2025, mas a empresa voltou a recorrer à Justiça diante de uma nova crise financeira.
O que muda para o mercado automotivo?
A nova recuperação judicial aumenta as incertezas sobre o futuro das operações do Grupo SHC e da JAC Motors no Brasil. A redução da rede de concessionárias, a saída de modelos de passeio e os relatos de atrasos nas entregas são fatores que podem afetar a confiança dos consumidores.
Para quem já possui um veículo da marca, o pedido de recuperação judicial não significa automaticamente o fim da assistência ou da disponibilidade de peças. No entanto, é importante acompanhar os comunicados oficiais da empresa e guardar documentos de compra, contratos de financiamento e registros de atendimento, especialmente em casos de veículos ainda não entregues.
O andamento do processo judicial deverá esclarecer como o grupo pretende negociar as dívidas e reorganizar suas operações no país.