O uso de óleo lubrificante adulterado pode provocar danos graves ao motor, muitas vezes sem apresentar sinais imediatos ao motorista. Produtos falsificados podem conter menos aditivos do que o necessário, apresentar viscosidade inadequada ou até utilizar óleo usado, contaminado e reenvasado como se fosse novo.
O problema preocupa especialistas do setor automotivo porque o lubrificante é responsável por reduzir o atrito entre componentes internos, controlar o desgaste e contribuir para o funcionamento adequado do motor. Quando sua composição não corresponde às especificações exigidas pela fabricante, a proteção das peças pode ficar comprometida.
ANP identificou irregularidades em 14,4% das amostras
Um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado por meio do Programa de Monitoramento de Lubrificantes, analisou 341 amostras de produtos de 62 empresas, coletadas entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, em 16 estados brasileiros.
Do total analisado, 49 amostras, o equivalente a 14,4%, apresentaram pelo menos um parâmetro fora das especificações. O resultado evidencia problemas de conformidade no mercado de lubrificantes e reforça a importância de verificar a procedência do produto antes de utilizá-lo no veículo.
Falta de aditivos compromete a proteção do motor
Uma das formas de adulteração consiste na comercialização de lubrificantes com quantidade insuficiente de aditivos ou sem componentes essenciais para a proteção do motor.
Entre essas substâncias estão detergentes e dispersantes, que ajudam a manter o sistema limpo e controlar a formação de depósitos, além de antioxidantes, que retardam a degradação do óleo durante o uso.
Quando a formulação não atende às especificações, o motor pode sofrer desgaste acelerado, aumento do consumo de óleo, perda de eficiência e formação de borra. Em situações mais graves, a lubrificação inadequada pode comprometer componentes internos e resultar em reparos de alto custo.
Viscosidade incorreta aumenta o desgaste das peças
A viscosidade determina a resistência do óleo ao escoamento e influencia a formação da película protetora entre as peças móveis do motor. Cada veículo exige um lubrificante com características específicas, definidas pela fabricante após testes de engenharia.
Um produto com viscosidade diferente da recomendada pode não circular adequadamente pelo sistema ou não formar a proteção necessária em determinadas condições de funcionamento. Isso aumenta o atrito entre componentes metálicos e pode contribuir para o superaquecimento e o desgaste prematuro.
Por esse motivo, não basta escolher um óleo apenas pela marca ou pelo preço. É fundamental conferir a viscosidade e as especificações exigidas no manual do veículo.
Óleo usado pode ser vendido como se fosse novo
Outra prática preocupante é a comercialização de lubrificantes usados ou contaminados em embalagens falsificadas. Nesse tipo de fraude, o produto retirado de motores pode passar por procedimentos para alterar sua aparência e depois ser vendido como se fosse novo.
Mesmo quando apresenta uma coloração aparentemente normal, o óleo pode conter resíduos metálicos, água, combustível, produtos de oxidação e outros contaminantes. Esses elementos comprometem sua capacidade de lubrificação e proteção.
O risco é particularmente elevado porque a aparência do produto não permite determinar sua qualidade química. Assim, um lubrificante visualmente semelhante ao original pode não oferecer a proteção necessária ao motor.
Motores modernos exigem atenção redobrada
Motores com turbocompressor, injeção direta e comando variável de válvulas dependem de lubrificantes que atendam a requisitos rigorosos de desempenho.
Nesses sistemas, a composição e a viscosidade do óleo influenciam diretamente a proteção das peças, o controle de depósitos e o funcionamento de componentes de precisão. Aditivos inadequados e contaminantes também podem comprometer sistemas de controle de emissões, incluindo catalisadores.
O problema não se limita aos veículos mais recentes. Motores antigos também podem sofrer desgaste acelerado e danos severos quando utilizam produtos fora das especificações recomendadas.
Como identificar possíveis sinais de adulteração
O consumidor deve desconfiar de lubrificantes vendidos por preços muito abaixo dos praticados no mercado, especialmente quando a oferta vem de vendedores sem procedência conhecida.
Também é importante verificar a embalagem, observando possíveis falhas no rótulo, informações ilegíveis sobre lote e validade, lacres danificados e sinais de reaproveitamento do frasco. Quando houver dúvida, o ideal é entrar em contato com o fabricante para confirmar a autenticidade do produto.
A recomendação é comprar lubrificantes em estabelecimentos confiáveis, oficinas de confiança ou pontos de venda autorizados. Durante a troca, o motorista também pode conferir se o produto utilizado corresponde à especificação indicada no manual do veículo.
Fluido de arrefecimento adulterado também oferece riscos
O problema não se restringe ao óleo do motor. Fluidos de arrefecimento adulterados podem apresentar concentrações inadequadas de componentes químicos, aditivos incompatíveis ou água fora das especificações.
Essas irregularidades podem favorecer a corrosão de peças, a formação de depósitos e a redução da capacidade de dissipação de calor. Em situações graves, o motor pode superaquecer, provocando danos ao cabeçote e a outros componentes.
Óleo de câmbio fora das especificações pode comprometer a transmissão
Os lubrificantes utilizados em transmissões automáticas também exigem formulações específicas. Além de reduzir o atrito, esses fluidos desempenham funções importantes no funcionamento hidráulico e no controle das trocas de marcha.
A utilização de um produto inadequado pode provocar superaquecimento, desgaste prematuro de componentes internos e falhas no funcionamento da transmissão, cuja manutenção pode apresentar custo elevado.
Confira os principais riscos do lubrificante adulterado
- Desgaste acelerado de pistões, anéis, mancais e comando de válvulas.
- Formação de borra, vernizes e depósitos internos.
- Aumento do consumo de óleo e possível perda de eficiência.
- Superaquecimento e comprometimento da lubrificação.
- Danos a componentes internos e, em casos extremos, quebra do motor.
Onde denunciar
Suspeitas de comercialização de lubrificantes adulterados podem ser comunicadas à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), por meio dos canais oficiais disponíveis no site gov.br/anp.
A principal recomendação é não escolher o lubrificante apenas pelo preço. Verificar a procedência, conferir as especificações técnicas e realizar a troca em um estabelecimento confiável são medidas importantes para proteger o motor e evitar prejuízos.