O Governo Federal decidiu ampliar os incentivos para a importação de veículos eletrificados desmontados e semidesmontados, medida que deve impactar diretamente o mercado automotivo brasileiro e favorecer fabricantes que utilizam operações de montagem local.
A decisão foi tomada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), que aprovou a renovação das cotas de importação com alíquota zero para veículos elétricos e híbridos importados nos formatos CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down).
A medida entra em vigor em julho e já provoca forte reação entre entidades ligadas à indústria automotiva nacional.
BYD aparece como principal beneficiada
Segundo interlocutores do setor, a empresa mais beneficiada pela decisão deverá ser a BYD, que atualmente mantém uma operação de montagem de veículos em sua unidade de Camaçari, na Bahia.
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Com a continuidade do benefício, a fabricante poderá seguir importando kits parcialmente desmontados para finalização no Brasil sem a incidência dos impostos de importação normalmente aplicados aos veículos completos.
A montadora argumenta que a medida é necessária para garantir tempo suficiente para concluir novas etapas de produção nacional, incluindo processos como estampagem, pintura e soldagem.
Montagem local reduz custos logísticos
O modelo de operação SKD permite que os veículos cheguem ao país parcialmente desmontados, sendo finalizados em território nacional.
Além da redução tributária, esse sistema oferece vantagens logísticas, já que os veículos podem ser transportados em contêineres convencionais, reduzindo custos e ampliando a eficiência das operações.
A estratégia tem sido adotada por diversas fabricantes chinesas que buscam acelerar sua presença no mercado brasileiro enquanto estruturam fábricas completas no país.
Anfavea critica mudança
A decisão, entretanto, desagradou parte da indústria nacional.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou nota afirmando que a alteração ocorreu de forma inesperada e compromete a previsibilidade necessária para investimentos de longo prazo.
Segundo a entidade, a prorrogação das cotas altera regras que haviam sido previamente definidas e reduz os incentivos para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional mais robusta.
Setor fala em insegurança para investimentos
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, chegou a afirmar antes da decisão oficial que a entidade avaliava medidas judiciais contra a criação das novas cotas.
A associação argumenta que mudanças repentinas nas regras podem gerar insegurança jurídica e colocar em risco investimentos estimados em mais de R$ 140 bilhões anunciados pela indústria automotiva para os próximos anos.
O setor defende que os incentivos sejam direcionados à produção nacional completa, estimulando a instalação de fornecedores locais e aumentando o conteúdo nacional dos veículos.
Debate envolve industrialização e competitividade
Enquanto o governo busca acelerar a implantação de novas fábricas e ampliar a oferta de veículos eletrificados, as montadoras já estabelecidas no país defendem uma política que priorize a nacionalização integral da produção.
O debate ganhou ainda mais relevância diante do crescimento do mercado de eletrificados no Brasil.
Dados do setor mostram que os veículos eletrificados produzidos localmente já representam uma parcela significativa das vendas da categoria, impulsionados pelos incentivos criados nos últimos anos.
Com a renovação das cotas, o mercado entra em uma nova fase de discussão sobre os caminhos para o desenvolvimento da indústria automotiva nacional, equilibrando atração de investimentos, geração de empregos e expansão da eletrificação no país.