O governo federal, por meio de uma proposta apresentada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pretende criar um aplicativo público para concorrer diretamente com plataformas privadas como Uber e iFood. A iniciativa prevê reunir serviços de transporte de passageiros e entrega de alimentos em um único sistema, oferecendo uma alternativa para motoristas, entregadores, restaurantes e consumidores.
 
Um dos principais pontos da proposta é estabelecer uma taxa de intermediação de, no máximo, 10% sobre as operações realizadas na futura plataforma. A intenção é reduzir o percentual retido pela empresa responsável pelo aplicativo e permitir que uma parcela maior do valor pago pelos consumidores chegue aos profissionais e estabelecimentos.
 
COMO FUNCIONARIA O APLICATIVO?
 
A ideia é desenvolver uma plataforma nacional com funcionamento semelhante ao dos serviços privados já conhecidos. Os usuários poderiam solicitar corridas, fazer pedidos de refeições e contratar entregas, enquanto motoristas e entregadores cadastrados receberiam as solicitações por meio do sistema.
 
A proposta também prevê condições de remuneração mínima para os entregadores, buscando oferecer maior previsibilidade sobre os valores recebidos por cada serviço.
 
O projeto menciona o Pix como referência de infraestrutura tecnológica brasileira. O sistema de pagamentos instantâneos, desenvolvido pelo Banco Central, é citado como exemplo da capacidade do país de criar soluções digitais utilizadas em larga escala.
 
TAXA DE 10% NÃO SERIA OBRIGATÓRIA PARA UBER E IFOOD
 
Um detalhe importante é que o limite de 10% seria aplicado somente à plataforma pública proposta. A iniciativa não estabelece uma redução obrigatória das taxas cobradas por Uber, iFood ou outras empresas privadas.
 
A estratégia seria criar uma concorrente com condições comerciais diferentes, permitindo que trabalhadores e estabelecimentos escolham em qual plataforma desejam atuar.
 
Para os motoristas, uma taxa menor poderia representar uma parcela maior do valor das corridas. Já para restaurantes e pequenos negócios, a proposta busca oferecer uma alternativa às comissões cobradas pelos aplicativos de delivery.
 
PROJETO AINDA NÃO TEM DATA PARA COMEÇAR
 
Apesar da proposta apresentada, o aplicativo ainda não existe e depende de definições importantes para sair do papel. Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão o financiamento, o órgão responsável pela administração, a estrutura operacional e os mecanismos de segurança digital.
 
Também será necessário estabelecer como funcionariam a distribuição de corridas e entregas, os pagamentos, o atendimento aos usuários e a prevenção de fraudes.
 
Outro desafio será conquistar uma quantidade suficiente de motoristas, entregadores, restaurantes e consumidores para que a plataforma consiga operar em diferentes cidades e competir com empresas que já possuem uma ampla rede de usuários.
 
Até o momento, não foi divulgado um cronograma de lançamento nem uma estimativa de investimento para desenvolver e manter o serviço.
 
A proposta não prevê substituir ou proibir o funcionamento da Uber e do iFood. A intenção anunciada é criar uma alternativa pública no mercado de transporte e entregas, ampliando a concorrência e oferecendo outras condições de intermediação.