O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (15) o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina comercializada no Brasil. Com a decisão, o percentual sobe de 30% para 32%, criando oficialmente a chamada gasolina E32.
A medida terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses, e faz parte das ações previstas na Lei do Combustível do Futuro, que busca ampliar o uso de biocombustíveis e reduzir a dependência brasileira da gasolina importada.
País poderá importar menos gasolina
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o aumento da participação do etanol permitirá que o Brasil deixe de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano.
A medida também foi adotada em um momento de instabilidade no mercado internacional de petróleo, cenário que elevou os custos das importações de combustíveis.
Os testes da gasolina E32 foram coordenados pelo MME e executados pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), avaliando o comportamento da nova mistura em automóveis e motocicletas representativos da frota nacional.
Preço pode cair até 2%
Representantes da cadeia de biocombustíveis afirmam que a mudança poderá gerar uma pequena redução no preço da gasolina para o consumidor.
Segundo Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a expectativa é de uma redução de aproximadamente 2% no valor final do combustível.
De acordo com o executivo, atualmente o litro do etanol custa, em média, cerca de R$ 2,40 menos que o litro da gasolina, tornando a mistura economicamente vantajosa.
A entidade também calcula que, desde o início da recente alta internacional do petróleo, a diferença de preços entre gasolina e etanol proporcionou uma economia de aproximadamente R$ 2 bilhões aos consumidores brasileiros, além de reduzir gastos do país com importações.
Mistura já havia sido testada
Segundo o governo, a gasolina E32 não representa uma novidade completa.
O percentual de 32% já havia sido considerado durante os testes realizados quando a mistura passou de 27% para 30%, em 2025.
Os ensaios avaliaram desempenho, dirigibilidade e funcionamento dos motores antes da aprovação da nova composição.
Ainda há preocupação entre montadoras
Apesar da aprovação, a medida continua gerando debates dentro da indústria automotiva.
Entidades que representam montadoras e importadoras afirmam que veículos mais antigos e modelos movidos exclusivamente a gasolina podem apresentar maior sensibilidade ao aumento do teor de etanol.
Entre as possíveis consequências apontadas estão:
- aumento no consumo de combustível;
- desgaste acelerado de mangueiras, juntas e componentes do sistema de alimentação;
- dificuldades na partida a frio em veículos antigos;
- possíveis incompatibilidades em motores que não foram projetados para misturas com maior percentual de etanol.
Já para veículos flex, especialistas afirmam que a mudança tende a causar pouco impacto no funcionamento, sendo esperado apenas um leve aumento no consumo devido ao menor poder calorífico do etanol.
A gasolina E32 representa mais um passo da política brasileira de incentivo aos biocombustíveis, enquanto o governo mantém a meta de elevar gradualmente a participação do etanol na gasolina nos próximos anos.