A criatividade dos proprietários de carros elétricos ganhou um novo capítulo nas redes sociais. Vídeos que viralizaram recentemente mostram motoristas utilizando o frunk, compartimento de bagagem localizado sob o capô, como uma espécie de caixa térmica para gelar bebidas.
Em um dos casos, o proprietário de um Geely EX2 aparece colocando gelo e cervejas diretamente no compartimento. O modelo possui um espaço dianteiro de 70 litros, destinado ao transporte de objetos, mas que não foi projetado para funcionar como cooler.
Água é o principal risco
Apesar de parecer uma solução prática, o derretimento do gelo pode provocar o acúmulo de água em uma área que não foi desenvolvida para receber líquidos.
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Acúmulo de água no frunk é um dos riscos do uso inadequado do compartimento — Foto: Reprodução/Internet
Dependendo do projeto de cada veículo, a água pode alcançar revestimentos, conexões, sistemas eletrônicos ou outros componentes próximos ao frunk, provocando danos ao veículo.
Eduardo Zambelli, diretor de eletromobilidade da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), alerta que o problema não está apenas no gelo, mas na utilização do compartimento fora da finalidade prevista pela fabricante.
A recomendação é consultar o manual do proprietário antes de utilizar o frunk para qualquer finalidade diferente do transporte de objetos. Em determinadas situações, o uso inadequado pode inclusive gerar questionamentos relacionados à garantia do veículo.
V2L também exige cuidados
Outro recurso que tem aparecido em vídeos nas redes sociais é o V2L (Vehicle-to-Load), tecnologia presente em alguns carros elétricos que permite utilizar a energia da bateria para alimentar equipamentos externos.
Um dos vídeos mostra um BYD Dolphin Mini utilizando o sistema para alimentar uma airfryer. O problema é o ambiente escolhido: o veículo está às margens de um rio, com as rodas dianteiras parcialmente submersas, enquanto o cabo de energia passa pela água.
A situação aumenta os riscos de choque elétrico, danos aos equipamentos e problemas no próprio sistema conectado, especialmente em ambientes sujeitos à umidade ou inundação.
Além disso, o especialista alerta que o proprietário deve respeitar o limite de potência definido pela fabricante e utilizar cabos e adaptadores adequados.
Tecnologia deve ser usada dentro das especificações
Tanto o frunk quanto o sistema V2L são recursos desenvolvidos para determinadas finalidades e condições de utilização. O problema surge quando o proprietário improvisa usos que não estão previstos pela montadora.
Por isso, antes de transformar o compartimento dianteiro em um cooler ou utilizar o V2L em situações incomuns, a orientação é verificar as especificações do veículo e seguir as recomendações do fabricante.