A Chevrolet pode voltar ao mercado brasileiro de caminhões urbanos após mais de três décadas fora do segmento. Segundo apuração da Autoesporte, a General Motors estuda comercializar no país modelos produzidos pela japonesa Isuzu, parceira de longa data da fabricante norte-americana.
A Chevrolet deixou de vender caminhões no Brasil em 1995, encerrando uma trajetória que começou décadas antes e que teve modelos como os C40 e D40. Na época, a fábrica de São Caetano do Sul (SP) chegou a produzir caminhões da marca.
Agora, o possível retorno teria uma estratégia diferente, com veículos desenvolvidos e fabricados pela Isuzu e comercializados sob a marca Chevrolet, como já acontece em outros mercados.
Montagem no Uruguai está entre as possibilidades
Além da importação direta, a GM avalia alternativas para tornar a operação mais competitiva na América do Sul. Uma delas seria a montagem dos caminhões no Uruguai, utilizando a estrutura da empresa Nordex.
A estratégia já é utilizada por outras fabricantes de veículos comerciais, como Ford e Kia. A produção ou montagem dentro do Mercosul permitiria que os modelos fossem enquadrados nas regras do bloco econômico, reduzindo custos de importação e aumentando a competitividade dos caminhões no mercado brasileiro.
Apesar dos estudos, a General Motors ainda precisa tomar a decisão definitiva sobre o projeto. Caso avance, a operação exigirá a definição de uma rede de concessionárias, treinamento das equipes de pós-venda, estrutura de peças e escolha dos modelos que serão oferecidos no país.
Mercado de caminhões leves desperta interesse
A possível volta da Chevrolet acontece em um momento em que a fabricante busca ampliar sua atuação no mercado brasileiro. O segmento de caminhões leves movimentou 10.237 unidades no ano passado, ficando entre os principais segmentos do mercado de veículos pesados e comerciais.
A entrada nesse mercado também permitiria à Chevrolet diversificar seu portfólio no Brasil, aproveitando a estrutura comercial já existente e a experiência da Isuzu no desenvolvimento de veículos comerciais.
Isuzu Série N está entre os cotados
Um dos principais candidatos para a operação brasileira é o Isuzu Série N, conhecido como ELF no Japão. O modelo é comercializado em diversos mercados e possui versões destinadas a diferentes aplicações profissionais.
A linha conta com configurações entre 3 e 8 toneladas de Peso Bruto Total (PBT), equipadas com motores turbodiesel de 3.0 e 5.2 litros, ambos de quatro cilindros. Dependendo da configuração, a potência chega a 190 cv.
A família também possui uma versão elétrica, denominada ELF EV, desenvolvida para operações urbanas. O modelo pode entregar até 215 cv, com torque de 38 kgfm e autonomia estimada entre 200 e 300 quilômetros, dependendo da configuração das baterias.
Série F atende operações de maior porte
Acima da Série N está a Isuzu Série F, destinada ao segmento de caminhões médios. Os modelos possuem PBT próximo de 12 toneladas e utilizam motor diesel de seis cilindros e 7,8 litros, com potência de aproximadamente 297 cv.
As transmissões podem ser manual ou automatizada, com seis ou nove velocidades, respectivamente.
Tanto a Série N quanto a Série F possuem diferentes possibilidades de configuração, incluindo baú, plataforma e aplicações vocacionais, como caminhões destinados à coleta de resíduos.
Caso o projeto avance, a chegada dos modelos Isuzu com a marca Chevrolet poderá representar o retorno da fabricante a um segmento no qual já teve participação histórica no Brasil e ampliar a disputa entre as principais marcas de veículos comerciais do país.