Montadoras usam cobertura de fábrica, programas extras e revisões na rede para ampliar a proteção dos veículos
Durante muitos anos, a garantia dos carros vendidos no Brasil seguiu quase sempre o mesmo padrão: três anos de cobertura contra defeitos de fabricação. Esse modelo ainda predomina em boa parte do mercado, mas começou a mudar com a chegada de novas marcas, o avanço da eletrificação e a alta no preço médio dos veículos.
Hoje, a garantia passou a ser também um importante argumento comercial. Algumas fabricantes oferecem prazos maiores já na cobertura de fábrica, enquanto outras apostam em programas que ampliam esse período por meio de seguro adicional, revisões em concessionária ou proteção específica para componentes de veículos híbridos e elétricos.
Levantamento com base nas marcas mais vendidas do país mostra diferenças importantes entre as montadoras.
FIAT E VOLKSWAGEN MANTÊM PADRÃO DE TRÊS ANOS
Fiat e Volkswagen seguem com três anos de garantia de fábrica em seus principais modelos vendidos no Brasil.
No caso da Fiat, a cobertura vale para toda a linha, de compactos a SUVs e picapes. A marca também oferece garantia adicional contratada à parte, o que permite ampliar o prazo total.
A Volkswagen adota política semelhante e disponibiliza opções de garantia estendida e cobertura mecânica para veículos usados, com planos que variam conforme o pacote escolhido.
CHEVROLET TAMBÉM SEGUE COM TRÊS ANOS
A Chevrolet mantém três anos de garantia de fábrica para sua linha vendida no país, incluindo modelos nacionais e importados.
A marca também oferece proteção mecânica adicional e, em alguns casos, ampliou a cobertura de componentes específicos. Nos elétricos, a bateria de alta tensão tem garantia maior, com prazo de oito anos ou 160 mil quilômetros.
HYUNDAI E JEEP APOSTAM EM PRAZO MAIOR
A Hyundai oferece cinco anos de garantia de fábrica, sem limite de quilometragem, em boa parte de sua linha nacional. A estratégia se tornou um dos diferenciais da marca no mercado brasileiro.
A Jeep também passou a oferecer cinco anos de garantia para sua linha de SUVs no Brasil, reforçando a tendência de ampliação da cobertura entre marcas mais consolidadas.
TOYOTA CHEGA A ATÉ 10 ANOS
A Toyota oferece cinco anos de garantia de fábrica em seus veículos vendidos no Brasil.
O diferencial está no programa Toyota 10, que renova a cobertura a cada revisão feita na rede autorizada. Com isso, o veículo pode chegar a até dez anos ou 200 mil quilômetros de garantia total, desde que cumpra as condições previstas pela marca.
Nos híbridos, a bateria também conta com cobertura ampliada.
BYD OFERECE SEIS ANOS, MAS COM REGRAS DIFERENTES
A BYD adota seis anos de garantia para o veículo e oito anos ou 160 mil quilômetros para bateria e motor elétrico.
Apesar do prazo maior, a cobertura varia conforme o tipo de uso e o componente analisado. Em uso comercial, por exemplo, alguns prazos são reduzidos. Além disso, certos itens de desgaste ou acabamento têm proteção menor que a garantia principal.
HONDA AMPLIOU COBERTURA
A Honda mudou recentemente sua política e passou a oferecer prazo maior em parte da linha, com cobertura ampliada em modelos mais novos.
Nos híbridos e eletrificados, o conjunto elétrico também recebe garantia superior, seguindo tendência já adotada por outras fabricantes.
RENAULT E NISSAN MANTÊM TRÊS ANOS
Renault e Nissan seguem com três anos de garantia de fábrica na maior parte de seus veículos vendidos no Brasil.
As duas marcas, porém, contam com programas de extensão de cobertura, que permitem ampliar o prazo total mediante contratação adicional e cumprimento de regras específicas.
GARANTIA VIROU FERRAMENTA DE VENDA
Mais do que proteção contra defeitos de fabricação, a garantia passou a funcionar como ferramenta estratégica das montadoras. Além de transmitir confiança ao consumidor, ela ajuda a manter o proprietário ligado à rede autorizada por mais tempo.
Com a eletrificação e o aumento do custo dos veículos, a tendência é que garantias mais longas se tornem cada vez mais comuns, principalmente para componentes caros, como baterias e sistemas eletrificados.
Mesmo assim, é importante observar com atenção as condições de cada marca, já que limites de quilometragem, exigência de revisões e exclusões de cobertura podem fazer grande diferença no uso real.