Inflação projetada em 4,05%, possível alívio nos juros e aumento de imposto para eletrificados influenciam o melhor momento de compra.
Comprar um carro em 2026 tende a ser uma decisão mais estratégica do que baseada apenas em preço de tabela. A combinação entre inflação, juros, política tributária e ritmo de vendas do setor indica que o consumidor precisará observar o momento certo para fechar negócio e, assim, reduzir o custo final da compra.
Segundo o Boletim Focus, do Banco Central, a projeção do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 é de 4,05%. Esse cenário reforça a expectativa de reajustes graduais nos preços dos veículos ao longo do ano, prática comum das montadoras para recompor custos e atualizar tabelas, especialmente na virada de lotes e de ano-modelo.
Apesar disso, especialistas destacam que o valor efetivamente pago pelo consumidor não depende apenas do preço divulgado pelas fabricantes. Taxas de financiamento, bônus de fábrica, estoque disponível e a necessidade das concessionárias em cumprir metas mensais costumam abrir espaço para negociações pontuais e descontos relevantes.
Para quem pretende financiar, o comportamento dos juros pode ser decisivo. A mediana das projeções do Focus aponta a taxa Selic em torno de 12,25% ao final de 2026. Caso o custo do crédito recue ao longo do ano, o impacto positivo pode aparecer diretamente nas parcelas, reduzindo o valor total pago, mesmo que o preço de tabela esteja um pouco mais alto.
O ritmo moderado de crescimento do setor também favorece a negociação. A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) projeta expansão próxima de 3% nas vendas em 2026. Em cenários assim, sem euforia, concessionárias tendem a ser mais flexíveis para girar estoque, oferecendo vantagens como maior bônus na troca do usado, taxas promocionais ou abatimentos em versões com menor saída.
No segmento de eletrificados importados, o calendário tributário ganha peso. Está prevista para julho de 2026 a elevação do imposto de importação para 35%, etapa final do cronograma definido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Além disso, as cotas de isenção vigentes até 30 de junho de 2026 podem antecipar ajustes de preços por parte das marcas.
Na prática, quem pretende comprar veículos elétricos ou híbridos importados encontra no primeiro semestre a janela mais previsível para buscar melhores condições, reduzindo o risco de adquirir o modelo após o aumento da carga tributária.
Ao fim, o melhor momento para comprar um carro em 2026 depende do perfil do consumidor. Quem compra financiado deve acompanhar de perto a evolução das taxas de juros. Compradores à vista tendem a se beneficiar mais de unidades em estoque com desconto imediato. Já interessados em eletrificados importados precisam considerar julho como um marco decisivo no planejamento da compra.