Nem sempre uma vantagem técnica no papel se confirma na prática. Foi exatamente isso que aconteceu em um comparativo de frenagem entre Toyota Yaris Cross, Honda WR-V e Nissan Kicks. Apesar de ser o único com freios a disco nas quatro rodas, o SUV da Toyota apresentou o pior desempenho nas medições de frenagem.
Os testes foram realizados em pista e mostraram que o Yaris Cross precisou de mais distância para parar completamente em todas as velocidades avaliadas.
Mesmo repetidos diversas vezes para garantir precisão, os testes mostraram que o modelo da Toyota sempre precisou de mais metros para parar.
Freio a disco não garante melhor frenagem
Em teoria, veículos com discos nas quatro rodas deveriam ter desempenho superior, pois esse sistema dissipa melhor o calor e mantém a eficiência de frenagem por mais tempo.
Já os freios a tambor, utilizados no eixo traseiro do WR-V e do Kicks, são mais simples e baratos. Eles funcionam com sapatas internas pressionando o tambor, enquanto os freios a disco utilizam pastilhas que apertam um rotor externo.
Apesar dessa diferença técnica, o desempenho final de frenagem depende de diversos fatores além do tipo de freio.
Peso do veículo também influencia
Um dos fatores que podem ter influenciado no resultado é o peso do veículo.
O Nissan Kicks pesa cerca de 1.157 kg, enquanto o Yaris Cross chega a 1.185 kg, diferença que já pode impactar na distância necessária para parar.
Pneus podem ter feito a diferença
No caso da comparação com o Honda WR-V, a explicação pode estar nos pneus utilizados.
O modelo da Honda utiliza Goodyear EfficientGrip, pneus desenvolvidos com foco em aderência. Eles utilizam compostos com sílica que aumentam a área de contato com o asfalto, tecnologia que melhora o desempenho em frenagens.
Já o Yaris Cross e o Kicks utilizam pneus Pirelli Scorpion, que têm proposta mais voltada ao uso geral.
Discos ainda têm vantagem em uso extremo
Apesar do resultado inferior nas frenagens em linha reta, os freios a disco nas quatro rodas ainda apresentam vantagens em situações de uso prolongado, como descidas de serra.
Nessas condições, o sistema a disco dissipa calor com mais eficiência e sofre menos com o fenômeno conhecido como fading, que é a perda de eficiência dos freios causada pelo superaquecimento.
Testes práticos mostram mais que a ficha técnica
O comparativo reforça um ponto importante da engenharia automotiva: a ficha técnica nem sempre conta toda a história.
Fatores como peso do veículo, tipo de pneu, calibragem, distribuição de massa e ajuste do sistema de freios podem influenciar diretamente no desempenho final de frenagem.