Item criado para enfrentar a neblina perdeu espaço com a evolução dos faróis inteligentes, o design minimalista e a busca por eficiência aerodinâmica.
Quem observa os lançamentos recentes do mercado automotivo já percebeu uma mudança clara: os faróis de neblina estão desaparecendo de muitos carros novos, inclusive em modelos de marcas tradicionais e até premium. O que antes era comum até em veículos compactos hoje se tornou cada vez mais raro, e isso não aconteceu por acaso.
Para entender o cenário atual, é preciso voltar no tempo.
A origem dos faróis de neblina
Os faróis de neblina surgiram ainda na década de 1920, quando os sistemas de iluminação automotiva eram bastante limitados. Os primeiros carros utilizavam lanternas a acetileno ou querosene, que iluminavam pouco. Com a popularização da iluminação elétrica, a partir de 1912, surgiu um novo problema: a luz branca refletia na neblina, criando um paredão branco à frente do veículo, prejudicando a visibilidade.
A solução foi simples e eficiente para a época: uma luz instalada mais baixa, próxima ao solo, com facho largo e, muitas vezes, em tom amarelado. O primeiro uso registrado desse conceito ocorreu em 1926, nas 24 Horas de Le Mans, quando a fabricante francesa Cibié equipou carros de corrida com faróis específicos para enfrentar a neblina noturna.
A partir daí, o item se espalhou, principalmente na Europa, e entre as décadas de 1970 e 1990 se tornou quase padrão nos carros de passeio.
A tecnologia mudou e o carro também
O principal motivo para o desaparecimento dos faróis de neblina é tecnológico. Os faróis principais evoluíram muito nos últimos anos. Sistemas em LED, projetores mais precisos, controle eletrônico do facho e ajustes automáticos de intensidade tornaram o farol baixo atual muito mais eficiente do que os de décadas atrás.
Na prática, muitos faróis modernos iluminam melhor em condições de neblina do que os antigos faróis auxiliares. A função continua existindo, mas passou a ser incorporada ao próprio conjunto óptico principal, tornando desnecessário um farol específico apenas para isso.
Design e aerodinâmica também pesaram
Outro fator importante é o design. A indústria automotiva vive uma fase de forte minimalismo visual. Eliminar os faróis de neblina permite para-choques mais limpos, com menos recortes e elementos, criando um visual mais moderno e alinhado às tendências atuais.
Além disso, há a questão aerodinâmica. Cada abertura no para-choque interfere no fluxo de ar. Ao retirar o espaço destinado ao farol de neblina, as montadoras conseguem melhorar o coeficiente aerodinâmico, o que contribui, ainda que de forma discreta, para a redução de consumo e emissões.
Um exemplo recente é o Volkswagen Nivus, que perdeu o farol de neblina em seu facelift de 2024. O mesmo caminho foi seguido por modelos como Polo, Jetta e Tiguan, além de veículos como Ford Territory e Honda Civic. Até marcas premium, como Mercedes-Benz, Audi, BMW e Volvo, reduziram ou eliminaram o item em vários modelos.
Custo e regulamentação
Há ainda um fator prático: custo. Em muitos mercados, o farol de neblina nunca foi um item obrigatório. Ao eliminar o componente, a montadora reduz peças, chicotes elétricos, comandos e processos de homologação. Em carros produzidos em grande escala, essa economia se torna significativa.
O farol de neblina ainda faz sentido?
Nada disso significa que o farol de neblina se tornou inútil. Em regiões com neblina frequente, como serras e estradas de altitude, ele ainda pode ser bastante eficaz, especialmente em veículos de uso específico, como carros de rali.
O ponto é que, para a maioria dos consumidores, o uso do farol de neblina acabou sendo mais estético do que funcional. Com a evolução da tecnologia e das prioridades da indústria, o mercado respondeu eliminando um item que deixou de ser essencial.