Item obrigatório por lei no Brasil, a cadeirinha automotiva é a principal ferramenta para reduzir lesões graves em acidentes envolvendo crianças.
A cadeirinha automotiva é considerada o principal dispositivo de segurança para o transporte de crianças em veículos, sendo capaz de reduzir drasticamente o risco de ferimentos graves ou fatais em caso de acidente. No Brasil, o uso do equipamento é obrigatório para crianças de até 7 anos ou com menos de 1,45 metro de altura, conforme estabelece a Resolução nº 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Apesar da exigência legal e da sua comprovada eficácia, a cadeirinha ainda é vista por muitos pais apenas como um item necessário para evitar multa, e não como um investimento essencial na proteção da criança.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), transportar criança sem o dispositivo de retenção adequado é infração gravíssima, sujeita a multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e retenção do veículo até a regularização.
Tipos de cadeirinha por idade
Cada fase da infância exige um tipo específico de equipamento:
• Bebê conforto – para bebês de até 12 meses
• Cadeirinha – para crianças de 1 a 4 anos
• Assento de elevação – para crianças de 4 a 7 anos e meio
O uso correto do modelo indicado para a idade e estatura da criança é fundamental para que o sistema de proteção funcione adequadamente.
Segurança ainda não é prioridade
Segundo a especialista em segurança infantil Regina Manasieva, da ABC Design, ainda é comum que pais priorizem itens ligados à estética e moda infantil, deixando a segurança em segundo plano. Muitos veem a cadeirinha apenas como uma exigência legal, quando na verdade ela é um dos itens mais importantes para salvar vidas.
Pesquisas internacionais mostram que um bebê pode passar mais de 2.000 horas na cadeirinha nos primeiros anos de vida, o equivalente a mais de 80 dias completos, o que reforça a importância de um produto realmente seguro e confortável.
Diferença entre cadeirinhas comuns e modelos avançados
No Brasil, toda cadeirinha precisa ter certificação do Inmetro. Porém, existem padrões internacionais mais rigorosos, como o i-Size, adotado na Europa, que exige testes adicionais, incluindo impactos laterais, responsáveis por cerca de 25% dos acidentes graves com crianças.
Segundo Regina, cinco fatores fazem a diferença entre uma cadeirinha básica e uma realmente segura:
• Certificações internacionais
• Sistema de fixação com tripla ancoragem
• Tecnologia de absorção de impacto lateral
• Conforto térmico e ergonomia
• Uso baseado na altura da criança, e não apenas no peso
Economia pode custar caro
Embora existam modelos mais baratos no mercado que atendem às normas brasileiras, especialistas alertam que priorizar apenas o preço pode colocar a criança em risco. Um acidente não avisa, e a diferença entre uma cadeirinha básica e uma certificada internacionalmente pode ser o fator decisivo entre a vida e a morte.
Modelos certificados já estão no Brasil
Marcas como ABC Design e Kikka Boo Brasil já oferecem no mercado nacional cadeirinhas com padrão europeu de segurança. Um exemplo é a Only One+, que atende às normas brasileiras e europeias, com certificação i-Size, tripla ancoragem, uso até 150 cm de altura, tecido antiaquecimento e sistema de ventilação.
Segundo a especialista, a comparação é como entre um carro com freios básicos e outro equipado com ABS, controle de tração e estabilidade: ambos freiam, mas o nível de proteção é completamente diferente.