A Chery International, responsável pelas marcas Omoda, Jaecoo, iCaur, Lepas, Freelander, Luxeed e Exeed, está próxima de anunciar oficialmente a produção de veículos no Brasil. A estratégia deve envolver a aquisição da fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ), que está com a produção paralisada desde julho.
 
A informação foi antecipada durante o Festival Interlagos, onde um executivo da Chery International Group afirmou que o anúncio da operação está “muito próximo”, dependendo apenas de alguns alinhamentos com a matriz na China.
 
Além de produzir veículos da Omoda e da Jaecoo, a unidade também deverá ser utilizada para fabricar modelos de outras marcas pertencentes ao grupo, estratégia que permitiria aproveitar melhor a capacidade industrial e reduzir custos de produção.
 
Uma fábrica para diferentes marcas
 
A utilização de uma mesma planta para diferentes marcas não seria uma novidade dentro da estratégia das montadoras chinesas que estão ampliando suas operações no Brasil.
 
Fábrica da JLR em Itatiaia (RJ) está parada há dois meses — Foto: Divulgação
 
Segundo as informações divulgadas, a Chery deverá priorizar inicialmente veículos que compartilham plataformas e apresentam potencial de vendas elevado. A produção nacional também ajudaria a reduzir a dependência das importações e os impactos dos impostos sobre veículos trazidos de outros países.
 
Um dos fatores que pesa nessa decisão é justamente a capacidade da unidade de Itatiaia. A fábrica foi inaugurada com capacidade para 24 mil veículos por ano e, em uma eventual expansão, poderia chegar a algo próximo de 50 mil unidades anuais.
 
Mesmo com o aumento da capacidade, o volume ainda seria limitado diante dos planos de crescimento das diversas marcas que fazem parte da Chery International.
 
Omoda e Jaecoo estão entre as favoritas
 
Nesse primeiro momento, os modelos construídos sobre a plataforma T1X aparecem como os principais candidatos à produção nacional.
 
Entre eles estão os SUVs híbridos Omoda 5, Jaecoo 5 e Jaecoo 7, além dos futuros Omoda 4 e Lepas L4, todos com chegada prevista ou confirmada para o mercado brasileiro.
 
A escolha por modelos que compartilham arquitetura permitiria à empresa concentrar diferentes produtos em uma mesma estrutura industrial, facilitando a fabricação e otimizando investimentos.
 
Em uma segunda etapa, a Chery também poderá nacionalizar veículos híbridos plug-in (PHEV) e elétricos desenvolvidos sobre a plataforma LEX, arquitetura mais recente do grupo para veículos de nova energia.
 
Fábrica da JLR não deve retomar produção
 
A possibilidade de aquisição ganha força em um momento de incerteza para a fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia.
 
A produção da unidade está parada desde julho e, de acordo com as informações apresentadas, não deverá ser retomada pela atual proprietária. A Chery International e a Jaguar Land Rover, por outro lado, já possuem uma relação comercial na China por meio de uma joint venture ligada à marca Freelander.
 
Lepas L4 também compartilha base com Omoda 4, Omoda 5 e Jaecoo 5 — Foto: Divulgação
 
A transferência da fábrica, portanto, permitiria à Chery assumir uma estrutura industrial já existente em vez de começar uma operação brasileira completamente do zero.
 
Chery mira 500 mil carros por ano
 
A expansão da produção nacional também está ligada aos ambiciosos planos comerciais da Chery para o país.
 
A empresa trabalha com a meta de vender 500 mil veículos por ano no Brasil a partir de 2031, volume que dificilmente poderia ser atendido apenas pela capacidade de uma única fábrica em Itatiaia.
 
Por isso, uma segunda unidade industrial deverá fazer parte dos planos de longo prazo da empresa. A estratégia seria semelhante à adotada por outras fabricantes chinesas que começaram utilizando estruturas existentes e posteriormente anunciaram novas fábricas.
 
Com isso, Itatiaia pode representar apenas o primeiro passo da expansão industrial da Chery no Brasil, servindo inicialmente para a produção de modelos da Omoda, Jaecoo e outras marcas do grupo, enquanto uma futura segunda fábrica poderá ampliar significativamente a capacidade produtiva nacional.