A Lecar, criada pelo empresário Flávio Figueiredo Assis, passou a ser investigada por suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo a venda antecipada de veículos híbridos.
 
Segundo nota técnica do Ministério da Fazenda, a empresa apresenta “forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta”, com características típicas de esquema de pirâmide financeira.
 
Modelo de venda sob suspeita
 
Picape da Lecar estava sendo vendida por R$ 159.300 em "contrato de compra programada" — Foto: Renato Durães/Autoesporte
 
A principal preocupação das autoridades envolve o sistema chamado “compra programada”.
 
Nesse modelo, clientes assumem planos de pagamento de até 72 meses, com a promessa de receber o veículo na metade do período.
 
No entanto, segundo a investigação:
  • Não há autorização formal para esse tipo de operação
  • Os veículos ainda não estão prontos
  • A empresa não possui fábrica em funcionamento
 
Veículos ainda não existem
 
Lecar 459 tem carroceria no estilo SUV cupê — Foto: Renato Durães/Autoesporte
 
A Lecar comercializa dois modelos:
  • SUV cupê 459
  • Picape Campo
 
Apesar das vendas, os veículos ainda não foram produzidos nem homologados.
 
Durante o último Salão do Automóvel, a marca apresentou apenas um conceito feito de material não funcional, sem peças reais.
 
Indícios apontados
 
A análise técnica identificou possíveis sinais de irregularidade:
 
Cobrança para atuação como revendedor
Venda de produto inexistente
Uso de gatilhos de urgência para adesão
Dependência de novos clientes para sustentar o fluxo financeiro
 
O caso está sendo apurado também pelo Ministério Público Federal.
 
Resposta da empresa
 
Fábrica Lecar por enquanto só existe no projeto — Foto: Divulgação
 
Em nota, a Lecar negou irregularidades e afirmou que atua dentro da legalidade.
 
A empresa declarou ainda que não recebeu notificação oficial e que nenhum cliente relatou prejuízo até o momento.
 
Promessas e incertezas
 
Fundada em 2022, a Lecar surgiu com a proposta de produzir veículos eletrificados com tecnologia nacional.
 
A empresa planeja construir uma fábrica em Sooretama (ES), com capacidade de produção de até 120 mil veículos por ano, mas o projeto ainda não saiu do papel e não possui licenças ou investimentos confirmados.