A Hyundai está ampliando o uso de robôs quadrúpedes em suas operações, utilizando máquinas desenvolvidas pela Boston Dynamics, empresa pertencente ao grupo, em funções que vão desde segurança patrimonial até inspeção de instalações e controle de qualidade.
Um dos exemplos é o Guardian, um robô baseado na plataforma Spot que passou a ser utilizado como uma espécie de segurança noturno na sede da Hyundai, em Seul, na Coreia do Sul.
Robô identifica funcionários e monitora instalações
Durante o trabalho noturno, o Guardian circula pelas áreas do complexo e pode solicitar a identificação de funcionários que estejam deixando o prédio.
O sistema utiliza câmeras, sensores, LiDAR, sensor térmico e tecnologia de leitura de credenciais para identificar pessoas e monitorar o ambiente. Caso alguém não consiga comprovar sua identificação, o robô pode acionar a equipe humana de segurança e acompanhar a movimentação do indivíduo.
A tecnologia também permite identificar situações que possam representar risco, incluindo casos em que uma pessoa esteja passando mal e precise de atendimento.
A Hyundai já utiliza robôs Spot em ambientes industriais para monitoramento de segurança, coleta de dados e inspeção de instalações. Segundo a própria companhia, o modelo está presente em operações industriais em mais de 40 países.
Um robô, várias funções
A plataforma quadrúpede pode receber diferentes equipamentos e softwares de acordo com a tarefa.
Na indústria, o Spot pode atuar como inspetor de qualidade, utilizando sensores e inteligência artificial para identificar possíveis falhas em veículos e equipamentos. Também pode verificar temperaturas, ruídos e outras características de máquinas para detectar anomalias que indiquem necessidade de manutenção.
Na nova fábrica dedicada a veículos elétricos em Ulsan, por exemplo, a Hyundai planeja utilizar o Spot durante períodos em que há menos funcionários, como à noite e em feriados, para identificar antecipadamente vazamentos de gás, incêndios e outras anormalidades. O robô também poderá auxiliar na identificação de defeitos nos veículos.
Outros robôs também já fazem parte da rotina
O cão robô não é o único equipamento utilizado pela Hyundai.
A empresa também testa robôs destinados a jardinagem, entrega de bebidas e serviços de cafeteria, criando um ambiente no qual diferentes tarefas de apoio são realizadas de maneira automatizada.
A proposta faz parte de um projeto maior para avaliar como a inteligência artificial e a robótica podem ser incorporadas ao cotidiano de trabalho, especialmente em atividades repetitivas, perigosas ou que exigem monitoramento constante.
Tecnologia chega às linhas de produção
A estratégia da Hyundai vai além dos robôs quadrúpedes. O grupo também pretende ampliar o uso do Atlas, robô humanoide desenvolvido pela Boston Dynamics, em suas fábricas.
Segundo a Hyundai, o Atlas deverá começar a ser introduzido em processos industriais a partir de 2028, inicialmente em tarefas como separação e organização de peças. A previsão é ampliar gradualmente sua utilização para montagem de componentes e outras atividades repetitivas ou que envolvam cargas e operações mais complexas.
A empresa também anunciou planos para produzir o Atlas em escala e ampliar sua presença nas unidades industriais do grupo.
Automação provoca reação dos trabalhadores
O avanço da robótica, porém, vem provocando preocupação entre funcionários e sindicatos da Hyundai na Coreia do Sul.
Trabalhadores das fábricas de Ulsan realizaram protestos e movimentos de greve em meio às negociações com a empresa. Entre as reivindicações estão garantias relacionadas ao impacto da introdução dos robôs humanoides sobre os empregos.
A Hyundai afirma que sua estratégia é baseada na colaboração entre humanos e robôs, com as máquinas assumindo tarefas repetitivas, perigosas ou fisicamente desgastantes, enquanto os funcionários permanecem responsáveis por supervisão e outras atividades.
Hyundai aposta na robótica como novo negócio
A expansão da robótica faz parte de uma estratégia de longo prazo do grupo. A Hyundai pretende combinar sua experiência na fabricação de veículos com a tecnologia da Boston Dynamics para criar uma cadeia própria de desenvolvimento, produção e comercialização de robôs.
A empresa também busca transformar a robótica em uma área relevante de negócios, não apenas para utilização interna, mas para fornecer soluções a outras indústrias.
Com isso, o cão robô que hoje patrulha corredores e inspeciona instalações pode ser apenas uma das primeiras etapas de uma transformação maior na indústria automotiva, em que máquinas e trabalhadores humanos passam a dividir cada vez mais funções dentro das fábricas.