Medida do governo de Javier Milei provoca queda de até 20% no valor de veículos premium
O mercado de carros de luxo na Argentina começou a registrar queda significativa nos preços após o governo do presidente Javier Milei eliminar parte do chamado “impuesto interno”, tributo que incidia sobre veículos de alto valor.
A mudança foi anunciada pelo Ministério da Economia da Argentina e já levou montadoras e concessionárias a revisarem os preços de diversos modelos premium vendidos no país.
Segundo estimativas do setor automotivo argentino, a redução pode chegar a 15% ou até 20% no preço final de alguns veículos importados, dependendo da marca e da faixa de valor.
Como funcionava o imposto
O chamado “impuesto interno” foi criado em 2013 como parte de uma política econômica voltada a restringir importações e proteger as reservas internacionais do país.
Na prática, o tributo funcionava como uma sobretaxa aplicada principalmente a carros premium.
Antes da reforma, o imposto tinha duas faixas principais:
• veículos entre 41 milhões e 75 milhões de pesos argentinos pagavam cerca de 20% de imposto;
• modelos acima desse valor podiam chegar a 35% de tributação.
Com a nova medida:
• a primeira faixa foi eliminada;
• a segunda teve a alíquota reduzida para cerca de 18%.
Além disso, o tributo incidia sobre o valor do veículo antes da venda ao consumidor, o que ampliava o impacto final no preço.
Distorções no mercado
Durante anos, a carga tributária elevada gerou distorções no mercado automotivo argentino.
Em alguns casos, veículos premium chegaram a custar muito mais no país do que em outras regiões da América Latina.
Para evitar a tributação mais alta, algumas montadoras passaram a vender versões simplificadas de seus carros, retirando equipamentos para manter o preço abaixo do limite que acionava o imposto.
Estimativas do setor indicam que os impostos podem representar cerca de 58% do preço final de um automóvel na Argentina, um dos índices mais altos da região.
Impacto no setor automotivo
A mudança ocorre em um momento em que o setor automotivo argentino tenta recuperar vendas após anos de instabilidade econômica.
O mercado local é altamente dependente de importações, com cerca de 70% dos veículos vendidos no país vindo do exterior.
Por esse motivo, alterações tributárias na Argentina costumam ser acompanhadas de perto por montadoras instaladas no Mercosul, especialmente no Brasil.
Caso a redução de impostos realmente estimule o consumo, o segmento de carros de luxo pode voltar a ganhar força no país após mais de uma década de forte pressão tributária.