Da refinaria à bomba, gasolina, etanol e diesel passam por análises e fiscalizações que garantem desempenho, segurança e respeito ao consumidor
A gasolina, o etanol e o diesel vendidos nos postos brasileiros percorrem um longo caminho antes de chegar ao tanque do consumidor. Ao contrário do que muitos imaginam, cada litro é monitorado desde a refinaria até a bomba, passando por bases de distribuição e transporte. Por trás disso existe um conjunto de normas rígidas e um sistema estruturado de fiscalização que envolve a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), universidades e redes distribuidoras.
Garantir que o combustível esteja dentro do padrão não é apenas uma questão de desempenho: é fundamental para proteger o veículo, o meio ambiente e a confiança do motorista. Entenda como funciona esse processo e por que ele reforça a segurança de quem abastece.
Controle começa nas refinarias
O monitoramento tem início nas refinarias, onde cada lote precisa atender às especificações técnicas definidas pela ANP. A partir daí, entra em ação o Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC), que coleta amostras em milhares de postos por todo o país.
Em 2024, cerca de 19 mil estabelecimentos tiveram produtos analisados. Essas amostras passam por laboratórios credenciados, que verificam parâmetros como:
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densidade
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octanagem
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teor de etanol
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teor de enxofre
Segundo Clayton Zabeu, professor do Instituto Mauá de Tecnologia, “são realizados vários ensaios normatizados para avaliar se o combustível está de acordo com as especificações”. Todos os procedimentos seguem a Resolução nº 988/2025, que trata de critérios como pureza, corrosividade e limites de contaminantes.
Fiscalização em campo e punições severas
Além do monitoramento estatístico, a ANP também realiza fiscalizações presenciais nos postos de combustível. Em 2024, foram 9.110 operações em todo o território nacional.
As equipes verificam:
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qualidade do combustível
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volume fornecido na bomba
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documentação e rastreabilidade
Quando um produto fora do padrão é detectado, o posto pode ser interditado imediatamente, além de responder a processo administrativo com multas que podem chegar a R$ 5 milhões.
A agência também cruza dados de movimentação, denúncias e relatórios do PMQC para direcionar inspeções com mais precisão, aumentando a chance de localizar irregularidades rapidamente.
Tecnologia a serviço do consumidor
Os testes de campo evoluíram. Além das medições tradicionais, como densidade e teor alcoólico, as fiscalizações contam com equipamentos mais modernos.
A ANP utiliza espectrofotômetros FTIR, aparelhos portáteis que identificam no próprio posto:
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adição irregular de metanol na gasolina
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excesso de biodiesel no diesel
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alterações químicas complexas
Isso permite que a interdição aconteça na hora, sem necessidade de aguardar análises laboratoriais.
O papel das distribuidoras
As distribuidoras complementam o trabalho. A Ipiranga, por exemplo, mantém protocolos internos que reforçam as exigências da ANP. Seus Veículos de Controle da Qualidade (VCQ) percorrem postos de todo o país coletando amostras e verificando padrões técnicos.
A empresa realiza cerca de 273 mil análises por ano, dentro do seu Programa da Qualidade, que orienta revendedores, corrige falhas e protege o consumidor. A rastreabilidade acompanha o produto desde a refinaria até a entrega no posto.
Transparência e direitos do motorista
Usar combustível fora das especificações aumenta o consumo e pode causar danos graves ao motor, como:
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detonação
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superaquecimento
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redução de desempenho
A fiscalização brasileira tem avançado para reduzir esse risco. Além disso, o consumidor pode:
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solicitar testes de qualidade no próprio posto
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denunciar irregularidades à ANP pelo 0800 970-0267
Mais do que procedimentos técnicos, o controle de qualidade é um compromisso do setor com a segurança, a eficiência e o respeito ao motorista.