O mercado automotivo brasileiro está prestes a ganhar mais uma fabricante chinesa. A DFM anunciou que iniciará oficialmente suas operações no país já na próxima semana, com a criação de uma loja virtual e a chegada dos modelos elétricos Box e Vigo.
 
A estratégia, porém, vai muito além dos primeiros lançamentos. A marca planeja chegar ao fim de 2028 com 11 veículos à venda no Brasil, além de uma futura linha de veículos comerciais.
 
O plano de expansão foi detalhado por Wang Jiong, CEO da DFM para as Américas, durante o Festival Interlagos 2026. Segundo a empresa, somente em 2027 serão lançados entre três e cinco novos modelos, enquanto duas submarcas do grupo, Voyah e MHero, também iniciarão suas operações no mercado brasileiro.
 
Voyah Courage será uma das novidades
 
 
Entre os próximos lançamentos está o Voyah Courage, primeiro modelo da submarca de veículos premium da DFM a chegar ao Brasil.
 
O SUV tem 4,72 metros de comprimento, 1,90 m de largura, 1,63 m de altura e 2,90 m de entre-eixos. Dependendo da configuração, o peso varia entre 2.099 kg e 2.227 kg.
 
O modelo utiliza apenas motores elétricos e terá versões com 292 cv ou 312 cv, além de baterias de até 109 kWh. A autonomia pode chegar a 901 km no ciclo CLTC.
 
Com presença em mercados da Ásia e da Europa, o Courage tem projeto global e design assinado pelo estúdio italiano ItalDesign, conhecido por projetos de diversos fabricantes internacionais.
 
MHero chega com SUVs de visual militar
 
 
Outra submarca que desembarca no Brasil é a MHero, criada em 2022 com foco em SUVs de luxo com características off-road e visual robusto.
 
O primeiro modelo previsto é o MHero 2, também conhecido como M817. O SUV tem 5,10 metros de comprimento, 1,99 m de largura, 1,89 m de altura e 3,05 m de entre-eixos.
 
Na China, o modelo é oferecido com sistemas híbrido plug-in (PHEV) e híbrido em série (REEV). Dependendo da configuração, a potência chega a 686 cv ou 925 cv.
 
A própria submarca ganhou no mercado a fama de “Hummer chinesa” devido ao porte avantajado e à proposta visual inspirada em veículos militares.
 
DFM Mage também está nos planos
 
Outro modelo que poderá chegar ao mercado brasileiro é o DFM Mage, vendido em outros países como Aeolus Haohan.
 
O SUV possui 4,65 metros de comprimento, 1,90 m de largura, 1,63 m de altura e 2,77 m de entre-eixos. O modelo utiliza a plataforma DSMA e conta com sistema híbrido plug-in. Em outros mercados, também existem versões híbridas convencionais, que não dependem de recarga externa.
 
O visual é marcado por elementos como maçanetas escamoteáveis, faróis estreitos e para-choques de aparência esportiva. No interior, o destaque fica para a central multimídia vertical e o console central elevado.
 
O processo de homologação do Mage no Brasil deverá começar em breve.
 
MHero 1 pode superar 1.000 cv
 
A estratégia da DFM ainda contempla o MHero 1, também chamado de M917.
 
Com desenho inspirado em veículos militares, o modelo é oferecido em versões totalmente elétricas e REEV. A potência pode ultrapassar 1.000 cv, enquanto a autonomia chega a 505 km.
 
O veículo mede 4,98 metros de comprimento, 2,08 m de largura, 1,93 m de altura e 2,95 m de entre-eixos.
 
Outro SUV que está sendo avaliado para completar a futura gama brasileira é o DFM Huge. O modelo possui 4,72 metros de comprimento e 2,82 m de entre-eixos e utiliza sistema híbrido plug-in.
 
A motorização combina um 1.5 turbo a gasolina com um motor elétrico, entregando 245 cv e 55 kgfm de torque.
 
Marca negocia produção no Brasil
 
Além de ampliar a gama de veículos, a DFM pretende estabelecer produção local até 2028.
 
A fabricante negocia possíveis parcerias com a Nissan, em Resende (RJ), e com a Stellantis, em Porto Real (RJ). A DFM e as duas empresas já possuem uma relação comercial global.
 
Outra possibilidade em análise é a aquisição da fábrica de motores da Fiat em Campo Largo (PR), atualmente pertencente à Stellantis.
 
A produção nacional faz parte do planejamento de longo prazo da empresa e deverá acompanhar a expansão da oferta de veículos no mercado brasileiro.
 
  1. Linha de comerciais fica para depois

  2.  
A DFM também confirmou planos para entrar no segmento de veículos comerciais no Brasil utilizando a própria marca.
 
A Dongfeng, grupo ao qual a DFM pertence, possui forte atuação nesse segmento na China. No Brasil, entretanto, a estratégia ainda está em desenvolvimento.
 
Segundo Wang Jiong, a empresa não pretende entrar imediatamente nesse mercado devido à forte concorrência.
 
“O segmento de veículos comerciais é muito disputado e difícil. Estamos nos preparando para entrar nele, mas não a curto prazo”, afirmou o executivo.
 
Com a chegada dos primeiros elétricos, a expansão das submarcas e os planos de produção nacional, a DFM pretende disputar espaço diretamente com fabricantes chinesas que já ampliaram sua presença no Brasil, como BYD e GWM.