A aviação comercial deu mais um passo rumo ao futuro com os testes bem-sucedidos de uma aeronave híbrida desenvolvida pela GE Aerospace, em parceria com a Nasa, Boeing, Beta Technologies e BAE Systems. O projeto realizou uma série de voos experimentais, incluindo a primeira travessia híbrida do Atlântico, entre os Estados Unidos e o Reino Unido, permanecendo por mais de duas horas no ar.
Os testes também alcançaram altitudes superiores a 30 mil pés, nível normalmente utilizado por aviões comerciais de passageiros, demonstrando o potencial da tecnologia para futuras aplicações na aviação regional e comercial.
Como funciona o sistema híbrido
O princípio de funcionamento é semelhante ao dos automóveis híbridos. A aeronave utiliza um motor convencional a combustão em conjunto com um motor elétrico alimentado por baterias de alta capacidade.
Durante fases que exigem maior potência, como a decolagem e a subida, o motor elétrico trabalha em conjunto com a turbina para reduzir o consumo de combustível e aumentar o desempenho da aeronave.
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Sistema híbrido da GE também pode ser usado em aviões turbofan — Foto: Getty Images
Já durante o voo de cruzeiro e, principalmente, na descida, o sistema elétrico passa a operar como gerador, recuperando energia e recarregando as baterias, da mesma forma que ocorre em veículos híbridos.
Testes utilizaram um Saab 340B
A plataforma escolhida para os testes foi um Saab 340B, aeronave turboélice com capacidade para até 36 passageiros.
Um dos motores originais foi mantido, enquanto o outro foi substituído pelo conjunto híbrido desenvolvido pela GE Aerospace, composto por motor elétrico, inversores e conversores de energia. As baterias foram fornecidas pela BAE Systems e a Boeing desenvolveu a estrutura necessária para acomodar o novo sistema.
Segundo a GE Aerospace, o conjunto híbrido pertence à categoria megawatt, capaz de fornecer potência suficiente para atender aeronaves comerciais regionais e até modelos de corredor único, como o Embraer E195, Boeing 737 e Airbus A320.
Tecnologia ainda enfrenta desafios
Apesar dos resultados positivos, os engenheiros ainda trabalham para superar desafios relacionados ao gerenciamento térmico do sistema, ao peso das baterias e ao funcionamento em grandes altitudes, onde a pressão atmosférica é significativamente menor.
Mesmo assim, a empresa afirma que os testes comprovaram o funcionamento do sistema híbrido, tanto na geração de potência para movimentar a hélice quanto na recuperação de energia durante o voo.
Outras fabricantes também investem na tecnologia
A corrida pelos aviões híbridos não se limita à GE Aerospace. A Airbus, em parceria com a Daher e a Safran, também desenvolve o projeto Ecopulse, que avalia diferentes arquiteturas híbridas para aumentar a eficiência energética da aviação.
Especialistas apontam que, embora a adoção comercial ainda dependa de novos avanços tecnológicos, os sistemas híbridos podem representar um importante passo para reduzir o consumo de combustível, diminuir as emissões de carbono e tornar o transporte aéreo mais sustentável nas próximas décadas.